Mallu,
me tornar mãe foi o principal divisor de águas da minha vida. não foi o dia da minha formatura, não foi a conquista da bolsa integral pro curso que sempre sonhei fazer, não foi o conhecimento do feminismo, não foi o dia que assumi pros meus pais quem eu sou e tive de lidar com todas as consequências disso, não foi quando saí de casa aos 19 anos sem ideia do que viria pela frente, não foram todas as coisas lindas e doídas que vivi nessa nova jornada, não foi a descoberta da condição clínica que tenho e que interfere em cada aspecto da minha vida, não foi o dia em que me casei com seu pai. foi quando me tornei mãe. a sua mãe.
não posso dizer que isso aconteceu ao ver aquelas duas listras cor-de-rosa ou ao ouvir seu coração bater pela primeira vez. não, filha, não é assim que nasce uma mãe. uma mãe nasce - a sua mãe nasceu - aprendendo a amar.
foi sentindo seu cheiro, te vendo dormir, aprendendo a te amamentar, chorando de desespero por não saber como cuidar de você, chorando de felicidade por ter recebido esse presente tão maravilhoso que é sua existência, ouvindo sua voz e suas primeiras palavras, acompanhando seus primeiros passos. foi com cada dificuldade e com cada novo aprendizado que tivemos juntas que eu fui te amando, pouco a pouco, até chegar a essa coisa sem nome, sem medida, sem limites que é o que eu sinto por você.
e foi assim, Mallu, que eu aprendi a me amar também.
porque enquanto observo cada pedacinho de você, cada traço do seu rosto, e tenho certeza que é a coisa mais linda que meus olhos já viram, eu reconheço os meus traços ali. eu que tanto olhei o espelho com ódio e repulsa vejo em você, na pessoa mais linda desse mundo, esses detalhes que também são meus. e então eu vejo o quanto também sou linda.
eu que me senti envergonhada pelo meu corpo a vida inteira, o vi se transformar e te gerar com perfeição. vi meu corpo trabalhar magnificamente e te parir, te vi sair das minhas entranhas e receber o primeiro sopro de vida. e então fiquei grata pelo corpo perfeito e maravilhoso que eu tenho.
eu que nunca achei que me bastasse e vivia procurando em outros lugares o meu sustento, fazendo pessoas de muletas emocionais e causando tantos estragos por aí... de repente eu passei a ser o que te mantinha viva: com meu leite, produzido por mim, perfeito pra você. com meu colo que era o único que te acalmava. então percebi que não só sustentava a minha filha - também me sustentava. eu era suficiente.
eu que nunca me senti segura, que nunca encontrei abrigo. e estava ali, dia após dia, crescendo com você e sendo o seu porto-seguro. me fiz o abrigo que nunca tive.
eu que me sentia tão fraca que tentei sumir de todas as formas possíveis, inclusive deixando de me nutrir durante anos. você precisava da minha presença e eu desejei estar ao seu lado a cada momento da sua vida, fosse como fosse. e então eu percebi a grandeza da minha força, capaz de vencer qualquer desafio por você. por mim. por nós.
eu que me sentia tão inadequada, quebrada, inútil. eu que não acreditava na minha capacidade de criar, trabalhar, construir, aprender... de viver. e você chegou pra me mostrar que não só sou capaz como posso ser incrível em tudo que eu quiser ser. que sou habilidosa, perspicaz, inteligente e sensível, e desde então uma vida inteirinha vem sido construída e reconstruída...
eu que não me achava digna de respeito. eu que não obtinha empatia daqueles que amava. eu que não sabia como cultivar esses sentimentos porque não pude acessá-los... de repente estava ali. respeitando você desde a gestação para que nascesse na sua hora, respeitando seu sono, seu humor, suas vontades, seu crescimento, seus limites. sentindo junto com você cada nova pequena - e enorme ao mesmo tempo - dificuldade dessa vida bagunçada aqui fora. te respeitando eu aprendi a me respeitar também. a legitimar meus sentimentos, a valorizar o que eu carrego no peito. e foi respeitando a você e a mim que passei a respeitar a tudo e todes es que nos cercam. a empatizar mesmo quando parece impossível e a rever meus pré-conceitos tão arraigados, reconhecer meus privilégios, lutar e resistir em busca dos meus direitos.
eu que me sentia tão ferida e acuada que pensei jamais ter capacidade de amar alguém genuinamente. você chegou e eu te amei, filha. e eu te amo. enlouquecida e incondicionalmente, eu te amo.
foi amando você que pude me permitir me amar e amar a vida que me foi concedida. foi sendo grata por ter te dado à luz e te ver crescer tão perfeita, tão maravilhosa, que pude reconhecer a minha perfeição, a minha maravilhosidade, e ser grata por isso também.
Mallu, muito obrigada, meu amor. o que você fez por mim foi tão incrível e divino que nem em mil vidas poderei recompensá-la... mas vou persistir tentando... nessa e em todas as outras porque, eu sei, eu tenho certeza, nosso encontro é mais que eterno... é atemporal.
sexta-feira, 6 de março de 2015
por você. por mim. por nós.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
do acolhimento e dos aprendizados
ontem eu perdi a paciência e agi com a Mallu com grosseria, o que definitivamente não vai de encontro com minha forma de criá-la.
eu não bati. eu não gritei. mas ainda assim minha atitude foi violenta e agressiva. me desculpei assim que me vi consciente do que havia feito.
ela me abraçou, me beijou, me chamou pra brincar de imitar os sons dos animais (a gente faz isso todo dia no banho) e dormiu agarradinha em mim.
mesmo assim terminei o dia arrasada, chorando, me sentindo a pior mãe do mundo.
conversando com umas amigas sobre o ocorrido lembrei que também sou humana. também tenho meus limites, perco a paciência, ajo por impulso. e que faz parte do ser mãe errar. e se desculpar, quantas vezes forem necessárias. porque nossos filhos precisam conhecer a humanidade que existe em nós ou não aprenderão a reconhecer a humanidade que existe neles. eles precisam nos ver acolhendo nossos sentimentos - inclusive a raiva - e dando voz à eles para que consigam acolher os seus próprios. e precisam saber quando devemos desculpas à eles, que não somos soberanos em nossas atitudes, que não temos o direito de causar sofrimento à eles apenas porque somos mães/pais. precisam conhecer os dois lados do perdão - o de quem necessita dele e o de quem oferece.
hoje, assim que acordei, me lembrei de uma cena que me fez chorar emocionada há alguns dias: Mallu estava colocando sua boneca pra dormir. muito carinhosa, deu peito, abraçou, olhou-a nos olhos e disse: amo você, viu? amo você muito.
sem perceber que eu a observava, ela estava reproduzindo o que recebe de mim todas as noites.
sim, eu erro. muito. mas eu também acerto um sem número de vezes. com meus tropeços e aprendizados eu sou a melhor mãe que a Mallu poderia ter e, sem dúvidas, nenhuma outra filha seria tão perfeita pra mim quanto ela. com a chegada da Mallu aprendi a acolher a criança que eu fui, a dar voz aos meus sentimentos, a valorizar todo o meu processo de amadurecimento, a me amar um pouquinho mais a cada dia. tudo porque eu queria ser uma pessoa melhor por ela, e agora eu sou uma mulher muito melhor - e em constante processo de melhoramento - por mim e por todos a minha volta.
que sigamos sempre nesse caminho evolutivo juntas, lado a lado, com todo o amor que nos une.
minha eterna gratidão por ter a honra de ser sua companheira de jornada, filha.
eu não bati. eu não gritei. mas ainda assim minha atitude foi violenta e agressiva. me desculpei assim que me vi consciente do que havia feito.
ela me abraçou, me beijou, me chamou pra brincar de imitar os sons dos animais (a gente faz isso todo dia no banho) e dormiu agarradinha em mim.
mesmo assim terminei o dia arrasada, chorando, me sentindo a pior mãe do mundo.
conversando com umas amigas sobre o ocorrido lembrei que também sou humana. também tenho meus limites, perco a paciência, ajo por impulso. e que faz parte do ser mãe errar. e se desculpar, quantas vezes forem necessárias. porque nossos filhos precisam conhecer a humanidade que existe em nós ou não aprenderão a reconhecer a humanidade que existe neles. eles precisam nos ver acolhendo nossos sentimentos - inclusive a raiva - e dando voz à eles para que consigam acolher os seus próprios. e precisam saber quando devemos desculpas à eles, que não somos soberanos em nossas atitudes, que não temos o direito de causar sofrimento à eles apenas porque somos mães/pais. precisam conhecer os dois lados do perdão - o de quem necessita dele e o de quem oferece.
hoje, assim que acordei, me lembrei de uma cena que me fez chorar emocionada há alguns dias: Mallu estava colocando sua boneca pra dormir. muito carinhosa, deu peito, abraçou, olhou-a nos olhos e disse: amo você, viu? amo você muito.
sem perceber que eu a observava, ela estava reproduzindo o que recebe de mim todas as noites.
sim, eu erro. muito. mas eu também acerto um sem número de vezes. com meus tropeços e aprendizados eu sou a melhor mãe que a Mallu poderia ter e, sem dúvidas, nenhuma outra filha seria tão perfeita pra mim quanto ela. com a chegada da Mallu aprendi a acolher a criança que eu fui, a dar voz aos meus sentimentos, a valorizar todo o meu processo de amadurecimento, a me amar um pouquinho mais a cada dia. tudo porque eu queria ser uma pessoa melhor por ela, e agora eu sou uma mulher muito melhor - e em constante processo de melhoramento - por mim e por todos a minha volta.
que sigamos sempre nesse caminho evolutivo juntas, lado a lado, com todo o amor que nos une.
minha eterna gratidão por ter a honra de ser sua companheira de jornada, filha.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
relato do meu puerpério - nu e cru
logo depois do parto me
bateu uma crise. então era aquilo? o parto que eu sonhei, que eu dei
o meu melhor pra construir, era aquilo? aquela dor toda (ocitocina
sintética gotejando sem parar), aquelas pessoas me infantilizando no hospital, roubando meu protagonismo, meu
marido muito mais preocupado com a gripe dele do que comigo (sim, EU
queria atenção, era o MEU momento. eu ainda não havia entendido que dali pra frente o foco seria a Mallu).
chegando em casa entrei pro banheiro correndo e fui chorar. o que eu ia fazer? eu nunca soube cuidar nem de mim mesma. olhei pra minha cachorrinha e pensei "coitada, vai sentir tanto agora que o bebê chegou, eu não podia ter engravidado, coitada da Chérie" - sim, eu estava me sentindo culpada porque a cachorra sentir a chegada da minha filha.
no terceiro dia pós-parto meu leite desceu. eu chorei por 10 horas seguidas. sem cessar. as lágrimas rolando, eu soluçando, não conseguia amamentar direito, os peitos rachados, a dor, a insegurança, o cansaço, a privação de sono. minha mãe e minha tia foram ficar comigo, fizeram canja de galinha e canjica (cuidado que fez a maior diferença), o Carlos foi pra casa da mãe dele passar o dia inteiro (!!!) e depois ela me liga falando "quer dizer que você tá chorando sem parar? hahahahaha já rimos demais de você aqui". emudeci. desliguei o telefone. tenho raiva e mágoa disso até hoje.
no quinto dia fomos a pé até o posto fazer o teste do pezinho. a enfermeira foi grossa, disse que Mallu tava com icterícia, que tinha que voltar no hospital pra internar e tomar banho de sol. foi aí que vi o tamanho do meu amor por ela: chorei, fiquei desesperada, "como ela vai dormir naquele berço sozinha? ela gosta é de ficar no colo, chora se sai do colo por um minuto, eu não vou ficar longe da minha filha, não consigo, ela é parte de mim". peitei a decisão e não voltei pro hospital. quando chegou a noite confesso que pensei sem querer querendo: "podia ter deixado ela ir, pelo menos voltava pra casa e dormia uma noite inteira".
daí pra frente começaram os palpites e eu fui descobrindo a minha força. virei bicho, leoa lambendo e defendendo a cria. os cuidados com ela já não eram feitos no "automático", por obrigação... o amor foi se construindo, se solidificando. lembro especialmente de uma noite nessa primeira semana em que Mallu chorava muito, chorava sem parar, e nada fazia ela se acalmar. fui pro quarto com abraçando-a, o rostinho colado no meu, e fiquei dizendo que eu estava ali, cuidando, acolhendo, amando. que dali pra frente estaríamos sempre juntas e eu faria tudo o que fosse preciso por ela, sempre. ela dormiu e eu senti a força incrível do nosso amor.
não parou por aí, esse foi só o baby blues. tive depressão pós-parto (ou não, na verdade eu tenho transtorno afetivo bipolar e depressão é algo "corriqueiro" na minha vida).
sofri muito por não ser mais o centro das atenções, por não reconhecer meu corpo, por custar a entender que as coisas nunca mais seriam como antes, por começar uma compulsão alimentar que não consegui controlar até hoje, por perder minha individualidade (sempre fui um tantinho egoísta). tive crise de pânico durante os primeiros 3 ou 4 meses e minha psicóloga me atendia em casa, se não fosse esse apoio (e também a presença quase diária da minha irmã) não sei a que ponto teria chegado.
foi isso. se eu pudesse voltar atrás teria buscado muita informação sobre o puerpério, teria pedido mais ajuda, deixado algumas coisas já prontas (organizado alimentação, limpeza da casa, pediatra definido, etc), teria falado mais sobre os meus sentimentos, criado menos expectativas, teria me envolvido mais com a minha filha e esquecido do resto do mundo (principalmente do marido, fiquei muito carente da atenção dele nesse período e isso me rendeu algum sofrimento desnecessário).
chegando em casa entrei pro banheiro correndo e fui chorar. o que eu ia fazer? eu nunca soube cuidar nem de mim mesma. olhei pra minha cachorrinha e pensei "coitada, vai sentir tanto agora que o bebê chegou, eu não podia ter engravidado, coitada da Chérie" - sim, eu estava me sentindo culpada porque a cachorra sentir a chegada da minha filha.
no terceiro dia pós-parto meu leite desceu. eu chorei por 10 horas seguidas. sem cessar. as lágrimas rolando, eu soluçando, não conseguia amamentar direito, os peitos rachados, a dor, a insegurança, o cansaço, a privação de sono. minha mãe e minha tia foram ficar comigo, fizeram canja de galinha e canjica (cuidado que fez a maior diferença), o Carlos foi pra casa da mãe dele passar o dia inteiro (!!!) e depois ela me liga falando "quer dizer que você tá chorando sem parar? hahahahaha já rimos demais de você aqui". emudeci. desliguei o telefone. tenho raiva e mágoa disso até hoje.
no quinto dia fomos a pé até o posto fazer o teste do pezinho. a enfermeira foi grossa, disse que Mallu tava com icterícia, que tinha que voltar no hospital pra internar e tomar banho de sol. foi aí que vi o tamanho do meu amor por ela: chorei, fiquei desesperada, "como ela vai dormir naquele berço sozinha? ela gosta é de ficar no colo, chora se sai do colo por um minuto, eu não vou ficar longe da minha filha, não consigo, ela é parte de mim". peitei a decisão e não voltei pro hospital. quando chegou a noite confesso que pensei sem querer querendo: "podia ter deixado ela ir, pelo menos voltava pra casa e dormia uma noite inteira".
daí pra frente começaram os palpites e eu fui descobrindo a minha força. virei bicho, leoa lambendo e defendendo a cria. os cuidados com ela já não eram feitos no "automático", por obrigação... o amor foi se construindo, se solidificando. lembro especialmente de uma noite nessa primeira semana em que Mallu chorava muito, chorava sem parar, e nada fazia ela se acalmar. fui pro quarto com abraçando-a, o rostinho colado no meu, e fiquei dizendo que eu estava ali, cuidando, acolhendo, amando. que dali pra frente estaríamos sempre juntas e eu faria tudo o que fosse preciso por ela, sempre. ela dormiu e eu senti a força incrível do nosso amor.
não parou por aí, esse foi só o baby blues. tive depressão pós-parto (ou não, na verdade eu tenho transtorno afetivo bipolar e depressão é algo "corriqueiro" na minha vida).
sofri muito por não ser mais o centro das atenções, por não reconhecer meu corpo, por custar a entender que as coisas nunca mais seriam como antes, por começar uma compulsão alimentar que não consegui controlar até hoje, por perder minha individualidade (sempre fui um tantinho egoísta). tive crise de pânico durante os primeiros 3 ou 4 meses e minha psicóloga me atendia em casa, se não fosse esse apoio (e também a presença quase diária da minha irmã) não sei a que ponto teria chegado.
foi isso. se eu pudesse voltar atrás teria buscado muita informação sobre o puerpério, teria pedido mais ajuda, deixado algumas coisas já prontas (organizado alimentação, limpeza da casa, pediatra definido, etc), teria falado mais sobre os meus sentimentos, criado menos expectativas, teria me envolvido mais com a minha filha e esquecido do resto do mundo (principalmente do marido, fiquei muito carente da atenção dele nesse período e isso me rendeu algum sofrimento desnecessário).
acho importante fazer relatos de puerpério, presentar com livros sobre o assunto (sugestão: A maternidade e o encontro com a própria sombra - Laura Gutman), colocar na roda que o começo é punk mesmo e nem tudo são flores. assim como os relatos de parto me ajudaram muito a saber o que esperar e como ponderar as situações que surgiram, teria me feito muito bem e seria muito esclarecedor se eu tivesse um conhecimento prévio do que viria pela frente. vamos falar sobre o puerpério, o pós-parto, as dores, os medos, as inseguranças. as próximas mães certamente agradecerão.
e quer saber bem a verdade? eu acho que a gente sai do puerpério mas o puerpério nunca mais sai da
gente.
terça-feira, 1 de abril de 2014
10 coisas que eu amo e 10 coisas que eu (detesto) não amo tanto assim em maternar
nem só de amor e nem só de cansaço vive uma mãe, não é? pensando nisso me propus a pensar nas 10 coisas que amo e 10 coisas que eu
10 coisas que eu não gosto em maternar
1 - cortar as unhas da Mallu - é tipo uma luta de MMA e ela sempre vence.
2 - raramente conseguir comer em paz - sentada à mesa, com as duas mãos disponíveis, sem ninguém no meu colo.
3 - sono e cansaço - se você me perguntar "como você tá?" todos os dias, é bem possível que a resposta seja sempre a mesma: "cansada!". e se eu deitar pra dormir tudo que preciso vou entrar em coma pelo menos por uns dois anos.
4 - sexo - alguém viu minha libido passando por aí? manda voltar que tá fazendo falta.
5 - tempo - é todo da minha filha, mal mal dou conta de lavar o cabelo sossegada ou passear com a minha cachorrinha. cabô. Mallu dominou geral.
6 - vícios e manias - ainda tenho alguns, admito (quem não? atira a primeira barra de chocolate ou a cartela de rivotril aí!), mas muita coisa tive que largar pra lá.
7 - sair com o marido - nunca mais saímos sozinhos desde que a filhota nasceu. é bom mas é ruim, sabe como?
8 - beber - saudades, mojito, um beijo, caipivodka, me espera, tequila!
9 - exercícios físicos - academia? musculação? hidroginástica? o máximo que eu faço é andar o corredor de casa 200x por dia dando a mão pra um serzinho pequeno e cheio das vontades.
10 - nunca mais estar sozinha - autoexplicativo. é isso. nunca fico sozinha, nunquinha, de jeito nenhum. nem pra ler, nem pra pensar, nem pra fazer o 2.
10 coisas que eu amo em maternar
1 - cama compartilhada - é bom dormir de conchinha com o marido? é uma delícia. mas dormir de conchinha com a cria é incomparável! delícia pura!
2 - amamentar - amor líquido, vínculo inexplicável, uma satisfação sem dimensão.
3 - sexo - depois de parir ficou ma-ra-vi-lho-so. parir é o poder, minha gente, vai por mim.
4 - vícios e manias - anos e anos de luta pra mudar velhos hábitos sem sucesso, daí chega essa pessoinha incrível e me faz ver o mundo de forma diferente e não precisar mais dessas muletas emocionais (ainda tenho algumas sim, mas tudo é um processo, devagar e sempre).
5 - sentimentos nobres - sabe o egoísmo? não existe mais. se antes eu era o centro do mundo, agora tenho muitas outras perspectivas. a coragem e a força me tomaram inteira, os medos fugiram apavorados, o amor imenso que nasceu junto com a Mallu não ficou só pra ela - me amo mais, amo o outro, amo o mundo, amo o que foi e amo muito mais o que virá.
6 - reflexão, busca constante e enfrentamento - meu olhar é outro, minhas posições também.
7 - tempo - consigo fazer (quase) tudo que preciso e ainda sobra um tempinho pra molengar. me fala o que eu fazia com tanto tempo livre antigamente?
8 - empatia - como a Mallu é parte de mim e consigo sempre me colocar no lugar dela, aprendi por tabela a exercitar isso muito mais fácil com as outras pessoas.
9 - grude-grudinho - minha bebê é grude (ou high need, embora eu não goste de rótulos). cansa? ô! mas nossa conexão é absurda de linda. amo nossos carinhos, nossos chamegos, nosso grude.
10 - nunca mais estar sozinha - NUNCA, nunquinha, nunca mais estarei sozinha. Mallu está em mim. não é incrível, lindo, maravilhoso, único? ah, é sim! <3 <3 <3
e você? compartilha as dores e as delícias de ser mãe com a gente também!
sábado, 22 de março de 2014
relato de puerpério: doloroso, lindo, vivo e excitante
divido com vocês uma experiência que não foi escrita por mim, mas também foi minha. e poderia apostar que sua também, não?
Um belo dia, eu não me reconheci. Eu não sabia exatamente o que tinha mudado, mas eu não era eu. Não tive consciência. Não vi que estava mudando. Um belo dia, eu não cabia mais nas minhas roupas... Nos meus conceitos, nas minhas posturas, nos meus desejos, nos meus projetos. Fiquei chocada. Abri meu guarda roupa e vi que nada daquilo me pertencia mais. Abri meu porta jóia e vi que nada daquilo fazia mais eco em mim. Quem eu era? Do que eu gostava? Quais eram as minhas marcas? Quais eram os meus cheiros , as minhas músicas, os meus livros, os meus discos? Qual era a minha voz? Foi assustador. Eu estava vivendo a vida de outra pessoa. O que era aquilo, tão diferente de mim, tão intensamente eu, e tão diferente de quem eu era e de quem eu pensei que me transformaria? Nem minha casa estava como eu queria! Parecia que eu nem morava ali! Parecia que aquilo tinha sido decorado por uma estranha!
E aí eu me assumi, me enterrei e renasci. Não foi fácil. Mas se alguém ler o que eu escrevia antes e depois de 2007, talvez se espante com a diferença. Os de perto estranharam. Perdi amigos antigos. Encontrei amigos novos. Revitalizei alguns laços.
Hoje eu sei que sou coisas que nunca imaginei. Sei que, quando eu inflei, inflei, até expelir um grão de humanidade, perdi algo junto com a placenta... E ganhei algo junto com os seios fartos. Perdi algo com as noites insones. Algo da minha essência morreu junto com a água fria que era quente para baixar as febres. E ganhei algo quando os via adormecer nos meus braços. Quem eu sou? Quem eu era? Perdi toda a segurança dos meus 20 anos. Perdi quase todos os meus ideais de festim. Perdi a leveza de quem não tem a vida de outra vida nas mãos e nas costas. Perdi a ingenuidade de quem acredita que um colar de pérolas a fará realmente mais bonita e ganhei... A segurança de uma mulher. A sabedoria de quem sabe que pode aprender, de quem sabe que pode se superar, de quem sabe que tem um lugar, de quem sabe que não precisa mais se afirmar, e provar as coisas para os outros, e convencer para ser respeitada. Ganhei a glória de quem se respeita, porque achou seu lugar. A leveza de quem está mais perto de entender a ingenuidade dos outros. Ganhei um respeito pelas diferenças que não tinha, quando pensava que sabia muito mais do que ignorava no mundo. Ganhei a suavidade e a delicadeza de quem já sabe onde vai. Ganhei a ternura de quem não tem medo do tempo, porque sabe que o bom e o belo, o assombro e o torvelinho podem vir a qualquer momento. Ganhei intimidade com a vida, por ter conhecido a presença da morte de tantas maneiras.
Quem eu era, não fui nunca mais. A menina que amava rosa, hoje prefere azul ou cinza. Que adorava perfumes mais chamativos, hoje prefere os mais discretos e gentis. O cabelo grande continua, se possível, abaixo da cintura, por favor... E ainda gosto de enfeitá-lo com um prendedor prateado, em dias de festa. Mas não preciso mais do meu prendedor prateado para saber que é dia de festa. Estou livre de muitas coisas, e presa há milhares de outras. Tudo mudou, mas, em algum momento, eu senti que não houve exatamente morte. Não foi uma impostora que tomou meu lugar, minhas roupas, meus livros, minha casa, meu marido. Foi apenas a essência destilada de quem eu sempre fui, mas era medrosa demais para assumir. Eu tinha vergonha de bancar minha essência fêmea e me contentava com distrações; eu tinha receio do que seria de minha vida social se os outros vissem o tamanho do meu idealismo, e me contentava com meias palavras. Agora, não. Toda minha força, ternura, delicadeza, intensidade e amor estão expostos, a mostra, e foi isso que a maternidade fez por mim. Não se pode gritar enquanto pare ou se tem nascido uma cria e usar as mesmas máscaras depois. Não se pode cuidar tão intensamente de outro ser humano e ter as mesmas reservas com os outros seres da criação depois. Isso te revela na essência, te despe mais que qualquer encontro sexual e mostra o belo e o grotesco que existe em você... E o que fica é a realidade, você, o mundo que segue como sempre seguiu ao seu redor e, de algum modo, você está no centro ou na periferia dele, sozinha e nua, com uma cria nos braços. É assustador, é doloroso, é desconcertante... Mas é lindo... E, perdoe... é também vivo e... excitante demais.
Jobis Guerra Joyce
segunda-feira, 17 de março de 2014
menos bruxas e mais irmãs
tenho pensado muito na história da branca de neve. na bruxa que pergunta todos os dias pro espelho: "espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?" e quando recebe uma resposta afirmativa, vai atrás de terminar com a vida da mulher que ousou ser mais bela do que ela.
tenho pensado nesses faz-de-conta todos onde a mãe nunca aparece. pelo contrário: sobram madrastas terríveis e irmãs maldosas.
ouvi aquela música da anitta que espanta as invejosas e a da valeska que afasta as recalcadas e inimigas. lembrei que no dia internacional da luta das mulheres vi uma piadinha numa rede social nos parabenizando por aguentar tantas amigas fofoqueiras e falsas.
e senti muitíssimo por todas nós. todas nós mulheres que somos ensinadas a competir umas com as outras diariamente. que não aceitamos que outra de nós se destaque. que não confiamos umas nas outras e juramos de pé junto que é melhor ter um amigo homem porque, afinal, ele não é uma ameaça. que usamos palavras de ofensa, que fazemos conversa atravessada, que nos tratamos como rivais, que alimentamos o machismo dia a dia com tudo isso que nos é ensinado desde criancinha.
não, não somos as princesas ameaçadas pelas bruxas más com maçãs envenenadas de ódio. somos irmãs - todas nós, daquela que você chama de "vagabunda" por usar roupa curta até a sua sogra, sua professora, sua vizinha. e o que o patriarcado quer é que não enxerguemos isso e nos tratemos com hostilidade, com dedos apontados, com a língua afiada para diminuir uma a uma das nossas semelhantes.
nós estamos do mesmo lado da batalha. a cultura machista em que vivemos quer que nos odiemos. mas nós não podemos. nós não vamos, combinado? nós vamos nos amar.
vamos ensinar às nossas filhas que elas podem confiar nas suas amigas. vamos ensiná-las a guardar os segredos que lhes são confessados, a ajudar sempre que forem solicitadas, a dar força quando outra menina qualquer estiver necessitando. vamos pedir que vejam todas as outras meninas com mais carinho e mais empatia. que vejam em si e em todas as outras a beleza de serem únicas e ainda assim serem a mesma. vamos mostrar que nos cuidando e apoiando somos fortes. e que ninguém pode com a nossa força. que ser mulher também é lutar, que nos é exigida a luta e que delas somos capazes - mas jamais umas contras as outras e sim, ainda que diferentes, sempre unidas, sempre nos fortalecendo de mãos dadas com as nossas irmãs.
vamos ensinar a sororidade para as nossas filhas. que elas se acolham e se amem. e aí então não existirão mais bruxas ou príncipes ou maçãs de ódio. apenas irmãs que confiam na sua força, que sustentam o seu amor.
tenho pensado nesses faz-de-conta todos onde a mãe nunca aparece. pelo contrário: sobram madrastas terríveis e irmãs maldosas.
ouvi aquela música da anitta que espanta as invejosas e a da valeska que afasta as recalcadas e inimigas. lembrei que no dia internacional da luta das mulheres vi uma piadinha numa rede social nos parabenizando por aguentar tantas amigas fofoqueiras e falsas.
e senti muitíssimo por todas nós. todas nós mulheres que somos ensinadas a competir umas com as outras diariamente. que não aceitamos que outra de nós se destaque. que não confiamos umas nas outras e juramos de pé junto que é melhor ter um amigo homem porque, afinal, ele não é uma ameaça. que usamos palavras de ofensa, que fazemos conversa atravessada, que nos tratamos como rivais, que alimentamos o machismo dia a dia com tudo isso que nos é ensinado desde criancinha.
não, não somos as princesas ameaçadas pelas bruxas más com maçãs envenenadas de ódio. somos irmãs - todas nós, daquela que você chama de "vagabunda" por usar roupa curta até a sua sogra, sua professora, sua vizinha. e o que o patriarcado quer é que não enxerguemos isso e nos tratemos com hostilidade, com dedos apontados, com a língua afiada para diminuir uma a uma das nossas semelhantes.
nós estamos do mesmo lado da batalha. a cultura machista em que vivemos quer que nos odiemos. mas nós não podemos. nós não vamos, combinado? nós vamos nos amar.
vamos ensinar às nossas filhas que elas podem confiar nas suas amigas. vamos ensiná-las a guardar os segredos que lhes são confessados, a ajudar sempre que forem solicitadas, a dar força quando outra menina qualquer estiver necessitando. vamos pedir que vejam todas as outras meninas com mais carinho e mais empatia. que vejam em si e em todas as outras a beleza de serem únicas e ainda assim serem a mesma. vamos mostrar que nos cuidando e apoiando somos fortes. e que ninguém pode com a nossa força. que ser mulher também é lutar, que nos é exigida a luta e que delas somos capazes - mas jamais umas contras as outras e sim, ainda que diferentes, sempre unidas, sempre nos fortalecendo de mãos dadas com as nossas irmãs.
vamos ensinar a sororidade para as nossas filhas. que elas se acolham e se amem. e aí então não existirão mais bruxas ou príncipes ou maçãs de ódio. apenas irmãs que confiam na sua força, que sustentam o seu amor.
quinta-feira, 13 de março de 2014
os sonhos, sempre eles
a Carol das babybobeiras relatou o parto dos sonhos dela e perguntou como é o do nosso sonho.
o parto dos meus sonhos é assim:
na nossa casa, na piscina montada no nosso quarto. Carlos lá dentro junto comigo, sentado atrás, nossos corpos encaixados. algumas horas de dilatação, não muitas nem poucas, quero curti-las. muita vocalização, meditação, conexão. um expulsivo curto e intenso; confiança, poder, segurança. toco a cabecinha da minha cria, acarinho seus cabelos, ainda dentro de mim. bebê nasce, escorrega, sinto tu-do: pouca dor e muito prazer, gemo. empelicado ou pouco antes a bolsa estoura, nada de bolsa rota antes, por favor. eu amparo sua saída, o trago pro meu colo, nos olhamos nos olhos. sem choro, nem meu, nem dele. carinhos das minhas mãos, das mãos do pai, das mãozinhas da irmã. sorrisos em rostos conhecidos e amados ao nosso redor. Chérie sentindo o cheirinho da cria nova junto da família toda.
saio da piscina, vamos pra nossa cama. bebê cheira, lambe, mama o seio. a placenta sai, observo com gratidão. o pai e a irmã cortam o cordão. períneo íntegro.
comemos alguma coisa, família e equipe, brindamos. muita felicidade e entrega. tem vídeo do parto, tem fotos lindas de todo o processo. fazemos a pintura da placenta e depois a guardamos pra uma cerimônia futura de batismo.
a equipe se despede, a família volta pra cama e dorme junto, todo mundo se cheirando, se (re)conhecendo, se amando.
pode ser que um dia seja bem assim, do jeitinho que eu sonho. pode ser que seja um pouco assim, um pouco assado. pode ser que seja totalmente diferente e ainda assim melhor. mas vai ser com consciência, com informação, com respeito, com segurança, com amor. vai ser mais um renascimento, mais um momento de extremo empoderamento meu, da minha família. vai ser lindo e vai ser nosso, todo nosso.
e eu passo pra vocês. como é o seu parto do sonho?
o parto dos meus sonhos é assim:
na nossa casa, na piscina montada no nosso quarto. Carlos lá dentro junto comigo, sentado atrás, nossos corpos encaixados. algumas horas de dilatação, não muitas nem poucas, quero curti-las. muita vocalização, meditação, conexão. um expulsivo curto e intenso; confiança, poder, segurança. toco a cabecinha da minha cria, acarinho seus cabelos, ainda dentro de mim. bebê nasce, escorrega, sinto tu-do: pouca dor e muito prazer, gemo. empelicado ou pouco antes a bolsa estoura, nada de bolsa rota antes, por favor. eu amparo sua saída, o trago pro meu colo, nos olhamos nos olhos. sem choro, nem meu, nem dele. carinhos das minhas mãos, das mãos do pai, das mãozinhas da irmã. sorrisos em rostos conhecidos e amados ao nosso redor. Chérie sentindo o cheirinho da cria nova junto da família toda.
saio da piscina, vamos pra nossa cama. bebê cheira, lambe, mama o seio. a placenta sai, observo com gratidão. o pai e a irmã cortam o cordão. períneo íntegro.
comemos alguma coisa, família e equipe, brindamos. muita felicidade e entrega. tem vídeo do parto, tem fotos lindas de todo o processo. fazemos a pintura da placenta e depois a guardamos pra uma cerimônia futura de batismo.
a equipe se despede, a família volta pra cama e dorme junto, todo mundo se cheirando, se (re)conhecendo, se amando.
pode ser que um dia seja bem assim, do jeitinho que eu sonho. pode ser que seja um pouco assim, um pouco assado. pode ser que seja totalmente diferente e ainda assim melhor. mas vai ser com consciência, com informação, com respeito, com segurança, com amor. vai ser mais um renascimento, mais um momento de extremo empoderamento meu, da minha família. vai ser lindo e vai ser nosso, todo nosso.
e eu passo pra vocês. como é o seu parto do sonho?
quinta-feira, 6 de março de 2014
sobre palmadinhas educativas, surras, mortes e a nossa omissão diária
essa semana o Alex teve o fígado dilacerado e morreu pelas mãos do próprio pai. e a responsabilidade disso é de todos nós. é do pai que espancou, da mãe que mandou o menino pra casa do pai e negligenciou cuidados, das pessoas que viam a criança ser agredida e não se colocavam em favor dela, da escola que não fez seu papel em perceber que algo errado estava acontecendo ali e não comunicou às autoridades responsáveis, de cada um de nós que naturaliza os "tapinhas educativos" e a humilhação como forma de impor "limites" numa criança.
ontem em um grupo materno que participo uma mãe contou aos risos que a filha de 14 meses havia tomado a primeira "surrinha" da vida dela. eu sempre sou a chata que vai falar contra a violência, que cria atrito, que defende a causa. e ando tão cansada de por isso ser taxada de adjetivos pejorativos,, de afastar "amizades" por ter meu posicionamento e não arredar pé (até que me provem o contrário, óbvio), que então decidi ficar calada. eu não ri junto com ela, mas também não disse o quanto aquilo era absurdo. eu me calei.
chorei a morte do Alex, chorei a surra que aquela bebê levou, chorei os tapas que outra bebê de uma conhecida leva, chorei os gritos humilhantes direcionados à outra criança que ouvi há meses, chorei os castigos abusivos da minha adolescência, chorei por ter precisado entrar na frente do meu irmão quando ele ia apanhar do meu pai e dizer: "bate em mim que você já bate sempre, nele você não vai encostar a mão".
todas as vezes que apanhei ou fui humilhada tudo que eu queria - queria não, precisava - era de um adulto que me defendesse. e agora eu estou nessa posição de privilégio, de adulta que pode - e deve - defender uma criança em situação de abuso e me calei tantas e tantas vezes. por isso eu sou responsável pela "surrinha", pelos tapas, pelos gritos, pela morte dessas crianças invisibilizadas. e você também é tão responsável quanto eu.
talvez você pense que entre um tapinha no bumbum e uma surra que leva à morte existe um abismo. mas não. existe uma linha muito tênue. o sentimento que te faz acreditar que tem o direito de bater no seu filho pra impor limites é o mesmo daquele pai que surrou o filho dele pra ensinar como ser macho. o que pretendem ensinar as crianças com violência? a cultura do medo começa aí: em vez de ensinar o filho a respeitar pegam o caminho mais curto e ensinam a temer.
nós não somos donos dos corpos e das vidas dos nossos filhos. eles são pessoas únicas, subjetivas, que terão suas próprias vivências e peculiaridades. e será que estamos prontos pra isso? será que estamos prontos pra que os nossos filhos saiam fora do script que determinamos à eles mesmo até antes de nascerem? será que esse tal amor incondicional que dizemos sentir vai resistir em toda a sua magnitude se nosso filho for gay, usuário de drogas, transsexual, gordo, comunista, evangélico? você está pronto para continuar amando e respeitando seu filho em suas particularidades?
e enquanto sociedade como estamos dispostos a nos posicionar diante da criação do filho alheio? a partir do momento que o que você faz com seu filho reflete nele que reflete no mesmo ambiente em que vivo, ele também passa a ser minha responsabilidade, não?
então eu decidi me posicionar. decidi não ser conivente com nenhum tipo de violência contra bebês, crianças e adolescentes. abusadores NÃO PASSARÃO. de nada adianta criar minha filha num ambiente sem abusos físicos/emocionais e me lixar para as outras crianças que passam por essa tortura todos os dias.
eu vou ser o adulto que queria que alguém tivesse sido por mim. e você? qual a sua posição?
vale a pena curtir a página Bater em criança é covardia e a Crescer sem violência.
leia, informe-se, questione-se. é possível criar sem violência. é possível ensinar pelo caminho do amor e não pela dor.
ontem em um grupo materno que participo uma mãe contou aos risos que a filha de 14 meses havia tomado a primeira "surrinha" da vida dela. eu sempre sou a chata que vai falar contra a violência, que cria atrito, que defende a causa. e ando tão cansada de por isso ser taxada de adjetivos pejorativos,, de afastar "amizades" por ter meu posicionamento e não arredar pé (até que me provem o contrário, óbvio), que então decidi ficar calada. eu não ri junto com ela, mas também não disse o quanto aquilo era absurdo. eu me calei.
chorei a morte do Alex, chorei a surra que aquela bebê levou, chorei os tapas que outra bebê de uma conhecida leva, chorei os gritos humilhantes direcionados à outra criança que ouvi há meses, chorei os castigos abusivos da minha adolescência, chorei por ter precisado entrar na frente do meu irmão quando ele ia apanhar do meu pai e dizer: "bate em mim que você já bate sempre, nele você não vai encostar a mão".
todas as vezes que apanhei ou fui humilhada tudo que eu queria - queria não, precisava - era de um adulto que me defendesse. e agora eu estou nessa posição de privilégio, de adulta que pode - e deve - defender uma criança em situação de abuso e me calei tantas e tantas vezes. por isso eu sou responsável pela "surrinha", pelos tapas, pelos gritos, pela morte dessas crianças invisibilizadas. e você também é tão responsável quanto eu.
talvez você pense que entre um tapinha no bumbum e uma surra que leva à morte existe um abismo. mas não. existe uma linha muito tênue. o sentimento que te faz acreditar que tem o direito de bater no seu filho pra impor limites é o mesmo daquele pai que surrou o filho dele pra ensinar como ser macho. o que pretendem ensinar as crianças com violência? a cultura do medo começa aí: em vez de ensinar o filho a respeitar pegam o caminho mais curto e ensinam a temer.
nós não somos donos dos corpos e das vidas dos nossos filhos. eles são pessoas únicas, subjetivas, que terão suas próprias vivências e peculiaridades. e será que estamos prontos pra isso? será que estamos prontos pra que os nossos filhos saiam fora do script que determinamos à eles mesmo até antes de nascerem? será que esse tal amor incondicional que dizemos sentir vai resistir em toda a sua magnitude se nosso filho for gay, usuário de drogas, transsexual, gordo, comunista, evangélico? você está pronto para continuar amando e respeitando seu filho em suas particularidades?
e enquanto sociedade como estamos dispostos a nos posicionar diante da criação do filho alheio? a partir do momento que o que você faz com seu filho reflete nele que reflete no mesmo ambiente em que vivo, ele também passa a ser minha responsabilidade, não?
então eu decidi me posicionar. decidi não ser conivente com nenhum tipo de violência contra bebês, crianças e adolescentes. abusadores NÃO PASSARÃO. de nada adianta criar minha filha num ambiente sem abusos físicos/emocionais e me lixar para as outras crianças que passam por essa tortura todos os dias.
eu vou ser o adulto que queria que alguém tivesse sido por mim. e você? qual a sua posição?
vale a pena curtir a página Bater em criança é covardia e a Crescer sem violência.
leia, informe-se, questione-se. é possível criar sem violência. é possível ensinar pelo caminho do amor e não pela dor.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
encontrei os olhos atentos da minha mãe, encostada na porta do banheiro. Carlos quase dentro-quase fora do box. a água me lavava inteira, como que de dentro pra fora, como que desnudando o que quer que ainda estivesse escondido, me expondo sutil e docemente.
agachada sentia os puxos. maravilhosos. intensos. e numa força involuntária e cheia de poder um corpinho escorregou de dentro de mim pra dentro do mundo. agarrei-o e, como uma fêmea qualquer traz seu filhote pra si, fiz de nós dois quase um mais uma vez. entre suas pernas vi um saquinho, apalpei, dei risada. "é um menino! um meninão!"
minha mãe sorria e batia palmas. Carlos chorava e gargalhava, molhado no chuveiro de roupa e tudo, nos abraçando e distribuindo beijos pela mulher e pelo filho, agora dois em seus braços.
completude.
acordei. foi só um sonho.
foi só um sonho?
agachada sentia os puxos. maravilhosos. intensos. e numa força involuntária e cheia de poder um corpinho escorregou de dentro de mim pra dentro do mundo. agarrei-o e, como uma fêmea qualquer traz seu filhote pra si, fiz de nós dois quase um mais uma vez. entre suas pernas vi um saquinho, apalpei, dei risada. "é um menino! um meninão!"
minha mãe sorria e batia palmas. Carlos chorava e gargalhava, molhado no chuveiro de roupa e tudo, nos abraçando e distribuindo beijos pela mulher e pelo filho, agora dois em seus braços.
completude.
acordei. foi só um sonho.
foi só um sonho?
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| Foto: Kelly Stein - http://www.kelstein.com/ |
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
leveza
não deixa que ela escorregue,
que te cause mais dor
maternar é tão bonito quanto difícil, mas não precisa ser pesado.
Mallu foi uma bebê desejada e amada desde que soubemos de sua micro-existência no meu útero. lembro com carinho da primeira vez que vimos seu coração bater, do primeiro chute na barriga, o primeiro olhar, a primeira risada, o primeiro cocô explosivo, a primeira noite insone, a primeira gripe, o primeiro carinho... foram tantas as primeiras vezes desde que a minha Luz chegou! no frigir dos ovos algumas delas parecem aterrorizantes, mas depois só deixam saudades e aquela sensação de "eu consegui, nós conseguimos". mesmo duvidando da minha capacidade ou da minha força, no fim das contas, sempre dou o meu melhor e dá tudo certo.
me cobro muito, sou perfeccionista, encrenquinha comigo mesma. a tolerância e a paciência que costumo ter com as pessoas é o que mais falta no cuidado comigo mesma. e hoje conversando com uma amiga (a que sempre toca no ponto certo, gratidão-gratidão-gratidão) percebi que o que preciso mesmo é de leveza.
deixar a vida seguir seu curso - afinal ela segue mesmo que eu tente não permitir, não é mesmo? curtir os momentos com a minha filhota, mesmo aqueles que insistem em ser complicados e cansativos. me desligar da casa bagunçada, do celular apitando, do sono acumulado, do livro pela metade... e me prender naquela risada gostosa, nos passinhos desajeitados, na vontade de estar sempre grudada em mim, de ver a vida em cima do meu colo.
dar leveza ao nosso amor e paciência ao meu cansaço. acreditar na minha força e no nosso vínculo. me permitir ver a vida com a Mallu no colo.
é, acho que a nossa frase é "nós conseguimos". juntas, uma pela outra, sempre conseguimos.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
primeiros passos
filha,
mais uma vez estamos passando por dilemas parecidos. você ameaça dar os primeiros passos - já se equilibra em pé com facilidade, estica as perninhas e então senta de novo. às vezes dá um passinho ou dois, mas logo vem engatinhando correndo na minha direção, escalando meu colo, me pedindo o peito. nos aconchegamos e fica pra outra hora essa história de caminhar por aí.
é assim comigo também. fico em pé, me equilibro, ameaço dar um passo... mas logo me vejo correndo pro seu colo. não me sinto pronta, fico insegura, quero você.
depois de um dia inteiro de tentativas e recuos a gente se cansa. você não deixa o sono te levar com medo de que ele me leve também, que eu não esteja ao seu lado quando voltar a abrir os olhos. eu te dou colo como que pedindo um colo pra mim, esgotada, o corpo pedindo renovação pra lidar com tanto amor e felicidade. nos desgastamos na medida em que nos amamos à exaustão.
a insegurança bateu tão forte nos últimos tempos que tenho perguntado por aí se as pessoas me acham uma boa mãe. perguntei pra sua vó, pra sua tia, pro seu pai. todos eles me tranquilizaram, me ajudaram a desembaçar o olhar, mas ninguém consegue me passar a segurança que preciso que venha de você.
eu sei, ainda estamos profundamente conectadas. precisamos relaxar e curtir o vínculo. precisamos dar nossos passos sem temer que eles nos afastem - eles não vão, nada irá, nunca.
pode andar, meu amor. pode caminhar por aí, pode botar firmeza nas pernas e dar vazão à esse seu olhar curioso. eu também vou dar meus passos, redescobrir o que é meu. continuaremos com as mãos dadas, o peito aberto, o coração em sintonia.
vai tranquila, filha, eu também vou. e estaremos sempre prontas pro retorno, prontas pro nosso ninho, pro nosso amor. uma da outra, uma a outra.
mais uma vez estamos passando por dilemas parecidos. você ameaça dar os primeiros passos - já se equilibra em pé com facilidade, estica as perninhas e então senta de novo. às vezes dá um passinho ou dois, mas logo vem engatinhando correndo na minha direção, escalando meu colo, me pedindo o peito. nos aconchegamos e fica pra outra hora essa história de caminhar por aí.
é assim comigo também. fico em pé, me equilibro, ameaço dar um passo... mas logo me vejo correndo pro seu colo. não me sinto pronta, fico insegura, quero você.
depois de um dia inteiro de tentativas e recuos a gente se cansa. você não deixa o sono te levar com medo de que ele me leve também, que eu não esteja ao seu lado quando voltar a abrir os olhos. eu te dou colo como que pedindo um colo pra mim, esgotada, o corpo pedindo renovação pra lidar com tanto amor e felicidade. nos desgastamos na medida em que nos amamos à exaustão.
a insegurança bateu tão forte nos últimos tempos que tenho perguntado por aí se as pessoas me acham uma boa mãe. perguntei pra sua vó, pra sua tia, pro seu pai. todos eles me tranquilizaram, me ajudaram a desembaçar o olhar, mas ninguém consegue me passar a segurança que preciso que venha de você.
eu sei, ainda estamos profundamente conectadas. precisamos relaxar e curtir o vínculo. precisamos dar nossos passos sem temer que eles nos afastem - eles não vão, nada irá, nunca.
pode andar, meu amor. pode caminhar por aí, pode botar firmeza nas pernas e dar vazão à esse seu olhar curioso. eu também vou dar meus passos, redescobrir o que é meu. continuaremos com as mãos dadas, o peito aberto, o coração em sintonia.
vai tranquila, filha, eu também vou. e estaremos sempre prontas pro retorno, prontas pro nosso ninho, pro nosso amor. uma da outra, uma a outra.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
do amor e do esgotamento
"Não há contradição entre amar alguém e sentir-se sobrecarregado por essa pessoa; na verdade, o amor tende a magnificar o peso. Esses pais precisam de espaço para sua ambivalência, possam ou não se permitir isso. Para aqueles que amam, não deve haver vergonha de sentir-se esgotado - até mesmo em imaginar outra vida."
- Andrew Solomon, Longe da Árvore.
eu sei, eu sei, o blog tá abandonadinho da silva. é que nas minhas férias eu fico super sem tempo - bebê grude-grudinho colada na mamãe o dia todo - namoramos, curtimos e cansamos muito juntas. agora as férias chegam ao fim e o blog vai voltar a ter atenção, prometo. só precisava postar esse trecho antes de qualquer coisa porque, ó, maior realidade da vida materna, né não?
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
paciência 0 x 10 culpa
durmo muito pouco, filha agarrada no peito a noite toda. acordo cedo, despertador tocando, filha enroscando em mim pra não me deixar sair da cama. mais peito, mais despertador. tô atrasada, cansada, mal-humorada.
vou tomar café da manhã e me jogo num copo de refrigerante às 6h30 da manhã. tudo errado, ana, tudo errado. e a merda do plano de alimentação saudável? foi pra puta que pariu? "e os palavrões que você tava evitando, caralho?". ah, foda-se.
vontade de chorar, de ficar escondida num canto qualquer dormindo sem ter que ir trabalhar, sem ter que trocar a filha, lavar fraldas, fazer comida, conversar com quem quer que seja.
mas não. engulo o choro e vou pro banho. ódio desse corpo flácido, esses peitos que já foram os mais bonitos que já vi e agora estão esfriando sentindo a cerâmica do chão cada vez mais perto.
depois vou me vestir no quarto, e a filha que tava rindo há segundos atrás com o pai, me vê e começa a gritar, chorar, pedir colo. dou o colo, o peito, mas juro que não tô nem um pouco afim. pergunto 'o que foi, filha? o que você quer' enquanto ela se debate e chora, ju-ran-do que um bebê de 11 meses vai conseguir articular e expressar o que tá sentindo.
me irrito mais, termino de me arrumar, vou me despedir da filha e do marido. ela não quer me deixar sair, chora ao me ver saindo porta afora e eu tenho vontade de mandar meu emprego pra puta que pariu, cuidar da minha filha em tempo integral e não ter que sair cedo e com essa sensação de algo entalado na garganta por vê-la chorar.
caminho rápido e resmungando até chegar na padaria mais próxima e compro mil paçocas e cem bombons. se é pra passar o dia nesse stress todo, que seja entupida de doces. "aí morre diabética e não sabe por que", uma voz sussurra no meu inconsciente, e já dá pra imaginar pra onde mandei a infeliz, não é?
chego no trabalho e a "colega" consegue transbordar o copo que já tava cheio com suas chatices habituais. quero pegar minha mochila e ir embora daqui, pra onde não sei, mas pra casa também não é. desculpa, mundo, mas eu quero sossego.
meus sinceros parabéns às mães de ferro, às mães-maravilha, mas euzinha aqui sou de carne, osso e sangue fervente.
é pecado estar cansada, exausta, querendo sumir um pouquinho pra um mundo onde só eu existo?
não deixo minha filha chorar, dou peito quando ela quer, amo amamentar, amo ser mãe, defendo o amor próprio e descoberta a autoestima e o prazer no corpo pós-parto, gosto demais do meu trabalho, tô tentando melhorar a alimentação e procuro ser gentil com todo mundo que cruza meu caminho.
mas paciência de mãe também tem limite.
me abraça que eu tô me sentindo a pior mãe do mundo e um desgaste físico-emocional que não me cabe. e-x-a-u-s-t-a.
vou tomar café da manhã e me jogo num copo de refrigerante às 6h30 da manhã. tudo errado, ana, tudo errado. e a merda do plano de alimentação saudável? foi pra puta que pariu? "e os palavrões que você tava evitando, caralho?". ah, foda-se.
vontade de chorar, de ficar escondida num canto qualquer dormindo sem ter que ir trabalhar, sem ter que trocar a filha, lavar fraldas, fazer comida, conversar com quem quer que seja.
mas não. engulo o choro e vou pro banho. ódio desse corpo flácido, esses peitos que já foram os mais bonitos que já vi e agora estão esfriando sentindo a cerâmica do chão cada vez mais perto.
depois vou me vestir no quarto, e a filha que tava rindo há segundos atrás com o pai, me vê e começa a gritar, chorar, pedir colo. dou o colo, o peito, mas juro que não tô nem um pouco afim. pergunto 'o que foi, filha? o que você quer' enquanto ela se debate e chora, ju-ran-do que um bebê de 11 meses vai conseguir articular e expressar o que tá sentindo.
me irrito mais, termino de me arrumar, vou me despedir da filha e do marido. ela não quer me deixar sair, chora ao me ver saindo porta afora e eu tenho vontade de mandar meu emprego pra puta que pariu, cuidar da minha filha em tempo integral e não ter que sair cedo e com essa sensação de algo entalado na garganta por vê-la chorar.
caminho rápido e resmungando até chegar na padaria mais próxima e compro mil paçocas e cem bombons. se é pra passar o dia nesse stress todo, que seja entupida de doces. "aí morre diabética e não sabe por que", uma voz sussurra no meu inconsciente, e já dá pra imaginar pra onde mandei a infeliz, não é?
chego no trabalho e a "colega" consegue transbordar o copo que já tava cheio com suas chatices habituais. quero pegar minha mochila e ir embora daqui, pra onde não sei, mas pra casa também não é. desculpa, mundo, mas eu quero sossego.
meus sinceros parabéns às mães de ferro, às mães-maravilha, mas euzinha aqui sou de carne, osso e sangue fervente.
é pecado estar cansada, exausta, querendo sumir um pouquinho pra um mundo onde só eu existo?
não deixo minha filha chorar, dou peito quando ela quer, amo amamentar, amo ser mãe, defendo o amor próprio e descoberta a autoestima e o prazer no corpo pós-parto, gosto demais do meu trabalho, tô tentando melhorar a alimentação e procuro ser gentil com todo mundo que cruza meu caminho.
mas paciência de mãe também tem limite.
me abraça que eu tô me sentindo a pior mãe do mundo e um desgaste físico-emocional que não me cabe. e-x-a-u-s-t-a.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
angústia da separação - sombras e mais sombras
ontem Mallu completou 11 meses (♥) e posso dizer que estamos no pico do pico do pico da angústia da separação. estamos sofrendo - sim, as duas - e ando meio perdida nisso tudo.
desde os 6 meses de idade Mallu começou a demonstrar alguns sinais da angústia (se você não sabe do que se trata, leia aqui). a própria pediatra dela me avisou durante a consulta: "ela está começando a perceber que vocês duas não são a mesma pessoa, e isso causa uma ansiedade extrema nela, que ainda não entende como vai ser estar separada da mãe". eu já havia lido muito a respeito, sabia que a fase estava chegando e me supunha preparada para lidar com ela. afinal, colo, grude, aconchego e amor nunca faltaram por aqui, né?!
a surpresa foi que essa fase de ansiedade de separação não passa de um dia pro outro. os outros picos de crescimento (também listados no link acima) costumam durar entre 1-4 semanas. esse salto de desenvolvimento pode ir firme e forte até os 2 anos. quer dizer... pânico total da mãe e do bebê.
ao mesmo tempo que é incrível perceber os primeiros "passos solo" da minha pequena, o desenvolver de sua autonomia e os primeiros traços da sua personalidade, dá um medo inexplicável por não saber como lidar com tudo isso. até ontem ela era o meu bebêzinho, que ficava quietinho no meu colo, que se satisfazia com minhas brincadeiras e carinhos, que dormia só de ouvir aquela música preferida na hora de ninar. agora ela é uma quase-criança com suas próprias vontades e preferências, que reluta na hora do sono e de trocar a fralda ("quem foi que disse que quero fazer isso agora, mãe? sai pra lá!", imagino que ela tem vontade de me falar), que se desprendeu do seio da mãe e quer ganhar o mundo.
e assim como a Mallu quer sua individualidade - ao mesmo tempo que não sabe lidar com ela - eu também quero a minha. há alguns meses atrás eu não sentia vontade ne-nhu-ma de passar um tempinho que fosse longe dela. vinha pro trabalho chorando, ficava a cada minuto me perguntando como ela estaria em casa sem mim, se tinha comido bem, se tinha dormido, essas coisas todas. ia pra terapia depois do trabalho e levava a pequena junto, só pra não ter que ficar mais uma hora por dia longe dela (mesmo com ela bagunçando todo o consultório da psicóloga e não me deixando concentrar direito no que eu precisava fazer ali). e agora eu sinto cada vez mais falta de um tempo meu. sempre fui uma pessoa que gosta muito de silêncio, de leitura, de introspecção. e é óbvio que desde que a Mallu nasceu esses momentos são cada vez mais escassos, mas eu não me sentia incomodada com isso até aqui. atualmente tenho precisado me fechar, me ouvir um pouco, me permitir sentir prazer na solidão. e ao perceber essa necessidade me banho num mar de dúvidas e culpas.
o mais difícil tem sido - tanto pra mim quanto pra Mallu - conviver com a realidade de não sermos mais a mesma pessoa. agora nos sabemos separadas, cada uma com seus desejos e necessidades, nem sempre dispostas a ceder mas sempre buscando negociar. claro que não se trata de um embate entre nós, muito pelo contrário, é um momento muito delicado da nossa relação e que envolve os sentimentos mais puros - amor, segurança, confiança, cumplicidade - e os mais pesados - culpa, ciúme, medo.
sei que é natural esse afastamento - na verdade é mais que natural, é necessário para nós duas. mas admito que ainda não estou conseguindo lidar com a enxurrada de sentimentos que vieram junto. sei que tenho sombras do meu passado enquanto filha interferindo nos meus sentimentos quanto a isso, e que se não examiná-los minuciosamente vai ser muito mais difícil conseguir organizar as coisas aqui dentro do peito.
o texto soou mais como um desabafo (e não é isso que ele é?), mas deixo aqui algumas explicações e dicas sobre essa fase:
"Como se sabe o bebê humano nasce muito imaturo durante seu primeiro ano de vida vai construindo e consolidando habilidades que lhe permitirão viver (sentar, andar, comer, etc). Durante essa fase a mãe (ou cuidador substituto) estabelecem uma relação muito próxima, quase visceral com o bebê e garante que todas suas necessidades sejam atendidas.
Segundo Winnicott, o inacabado ser humano quando vem ao mundo se confunde com este. Ainda não tem definido o que é seu corpo, o que ele é, o que é o outro, o que é o mundo que o cerca. Ao sugar ao seio, mais do que olhar para este, o bebê olha para o rosto de quem o está amamentando e quando olha no rosto da mãe o que vê é ele mesmo. O bebê recém-nascido então não diferencia sua mãe dele mesmo, para ele o corpo da mãe é uma extensão de seu próprio corpo.
Aos poucos o bebê vai descobrindo seu corpo, as mãos, pés, inicia-se o desenvolvimento psicomotor ainda rudimentar e assim vai se formando uma imagem do seu corpo. Lacan (1949) desenvolveu a ideia do estágio do espelho (originalmente postulada por Wallon em 1934), que fala mais ou menos o seguinte: quando olha para o espelho o bebê inicialmente vê um outro, só depois percebe é que ele mesmo está ali. Então primeiro vê o outro, depois esse outro é ele mesmo e dá-se a partir daí um jogo de alternância eu-outro.
É justamente nessa fase (a partir do 6º, com mais intensidade no 8º mês) que o bebê começa a tomar consciência de que ele e a mãe são distintos, e essa descoberta lhe traz angústia e medo. É importante ressaltar que para um bebê muito pequeno só existe aquilo que está no seu campo de visão, então quando a mãe não está ele pode realmente ficar em pânico.
Essa fase leva a criança a ficar mais "grudada" na mãe, gera dificuldades de sono, mais choro e falta de apetite (em alguns), porém não deve ser menosprezada. Aqui destaco um trecho do texto da Andreia Mortensen sobre o assunto:
É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança.
Para lidar com essa fase tão delicada encontrei no livro Soluções para Noites sem Choro algumas dicas:
1. Aumentar os cuidados diurnos com o bebê, dar mais carinho;
2. Seguir a rotina de dormir sempre;
3. Manter fotografia da mãe próxima ao berço;
4. Se despedir do bebê ao sair, sempre dar tchau;
5. Demonstrar confiança e alegria ao deixá-lo;
6. Responder rapidamente ao choro do bebê;
7. Durante o dia faça pequenas separações do bebê, ir a outro cômodo e deixá-lo só mas escutando sua voz para que aos poucos se entenda que você voltará, que continua existindo quando sai do campo de visão dele. Brincar de esconde-esconde ajuda bastante nessa fase;
8. Evitar transferência de colo para colo. Apesar dessa ser a prática comum, entregar o bebê ao cuidador no colo, esse simples ato cria ansiedade na criança que sai dos braços da mãe para o de outra pessoa, gera um desconforto físico que só aumenta a ansiedade. Assim o ideal é fazer a transferência em outro ambiente, como no chão enquanto o bebê brinca. Inclua o cuidador nessa brincadeira, você da tchau e sai, esse é o momento do cuidador pegá-lo, aumentar a interação com o bebê."
Referências:
Artigo: A imagem corporal e a constituição do eu.
Texto: Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança
Livro: Soluções para noites sem choro. Elizabeth Pantley. M Books, 2003.
Livro: O Livro da maternagem: para mães, pais, cuidadores e doulas. Thelma B. Oliveira, Ed Schoba, 2012.
(via: Aventuras Maternais)
desde os 6 meses de idade Mallu começou a demonstrar alguns sinais da angústia (se você não sabe do que se trata, leia aqui). a própria pediatra dela me avisou durante a consulta: "ela está começando a perceber que vocês duas não são a mesma pessoa, e isso causa uma ansiedade extrema nela, que ainda não entende como vai ser estar separada da mãe". eu já havia lido muito a respeito, sabia que a fase estava chegando e me supunha preparada para lidar com ela. afinal, colo, grude, aconchego e amor nunca faltaram por aqui, né?!
a surpresa foi que essa fase de ansiedade de separação não passa de um dia pro outro. os outros picos de crescimento (também listados no link acima) costumam durar entre 1-4 semanas. esse salto de desenvolvimento pode ir firme e forte até os 2 anos. quer dizer... pânico total da mãe e do bebê.
ao mesmo tempo que é incrível perceber os primeiros "passos solo" da minha pequena, o desenvolver de sua autonomia e os primeiros traços da sua personalidade, dá um medo inexplicável por não saber como lidar com tudo isso. até ontem ela era o meu bebêzinho, que ficava quietinho no meu colo, que se satisfazia com minhas brincadeiras e carinhos, que dormia só de ouvir aquela música preferida na hora de ninar. agora ela é uma quase-criança com suas próprias vontades e preferências, que reluta na hora do sono e de trocar a fralda ("quem foi que disse que quero fazer isso agora, mãe? sai pra lá!", imagino que ela tem vontade de me falar), que se desprendeu do seio da mãe e quer ganhar o mundo.
e assim como a Mallu quer sua individualidade - ao mesmo tempo que não sabe lidar com ela - eu também quero a minha. há alguns meses atrás eu não sentia vontade ne-nhu-ma de passar um tempinho que fosse longe dela. vinha pro trabalho chorando, ficava a cada minuto me perguntando como ela estaria em casa sem mim, se tinha comido bem, se tinha dormido, essas coisas todas. ia pra terapia depois do trabalho e levava a pequena junto, só pra não ter que ficar mais uma hora por dia longe dela (mesmo com ela bagunçando todo o consultório da psicóloga e não me deixando concentrar direito no que eu precisava fazer ali). e agora eu sinto cada vez mais falta de um tempo meu. sempre fui uma pessoa que gosta muito de silêncio, de leitura, de introspecção. e é óbvio que desde que a Mallu nasceu esses momentos são cada vez mais escassos, mas eu não me sentia incomodada com isso até aqui. atualmente tenho precisado me fechar, me ouvir um pouco, me permitir sentir prazer na solidão. e ao perceber essa necessidade me banho num mar de dúvidas e culpas.
o mais difícil tem sido - tanto pra mim quanto pra Mallu - conviver com a realidade de não sermos mais a mesma pessoa. agora nos sabemos separadas, cada uma com seus desejos e necessidades, nem sempre dispostas a ceder mas sempre buscando negociar. claro que não se trata de um embate entre nós, muito pelo contrário, é um momento muito delicado da nossa relação e que envolve os sentimentos mais puros - amor, segurança, confiança, cumplicidade - e os mais pesados - culpa, ciúme, medo.
sei que é natural esse afastamento - na verdade é mais que natural, é necessário para nós duas. mas admito que ainda não estou conseguindo lidar com a enxurrada de sentimentos que vieram junto. sei que tenho sombras do meu passado enquanto filha interferindo nos meus sentimentos quanto a isso, e que se não examiná-los minuciosamente vai ser muito mais difícil conseguir organizar as coisas aqui dentro do peito.
*******
o texto soou mais como um desabafo (e não é isso que ele é?), mas deixo aqui algumas explicações e dicas sobre essa fase:
Angústia da Separação - Salto de desenvolvimento entre os 6 e 9 meses
"Como se sabe o bebê humano nasce muito imaturo durante seu primeiro ano de vida vai construindo e consolidando habilidades que lhe permitirão viver (sentar, andar, comer, etc). Durante essa fase a mãe (ou cuidador substituto) estabelecem uma relação muito próxima, quase visceral com o bebê e garante que todas suas necessidades sejam atendidas.
Segundo Winnicott, o inacabado ser humano quando vem ao mundo se confunde com este. Ainda não tem definido o que é seu corpo, o que ele é, o que é o outro, o que é o mundo que o cerca. Ao sugar ao seio, mais do que olhar para este, o bebê olha para o rosto de quem o está amamentando e quando olha no rosto da mãe o que vê é ele mesmo. O bebê recém-nascido então não diferencia sua mãe dele mesmo, para ele o corpo da mãe é uma extensão de seu próprio corpo.
Aos poucos o bebê vai descobrindo seu corpo, as mãos, pés, inicia-se o desenvolvimento psicomotor ainda rudimentar e assim vai se formando uma imagem do seu corpo. Lacan (1949) desenvolveu a ideia do estágio do espelho (originalmente postulada por Wallon em 1934), que fala mais ou menos o seguinte: quando olha para o espelho o bebê inicialmente vê um outro, só depois percebe é que ele mesmo está ali. Então primeiro vê o outro, depois esse outro é ele mesmo e dá-se a partir daí um jogo de alternância eu-outro.
É justamente nessa fase (a partir do 6º, com mais intensidade no 8º mês) que o bebê começa a tomar consciência de que ele e a mãe são distintos, e essa descoberta lhe traz angústia e medo. É importante ressaltar que para um bebê muito pequeno só existe aquilo que está no seu campo de visão, então quando a mãe não está ele pode realmente ficar em pânico.
Essa fase leva a criança a ficar mais "grudada" na mãe, gera dificuldades de sono, mais choro e falta de apetite (em alguns), porém não deve ser menosprezada. Aqui destaco um trecho do texto da Andreia Mortensen sobre o assunto:
É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança.
Para lidar com essa fase tão delicada encontrei no livro Soluções para Noites sem Choro algumas dicas:
1. Aumentar os cuidados diurnos com o bebê, dar mais carinho;
2. Seguir a rotina de dormir sempre;
3. Manter fotografia da mãe próxima ao berço;
4. Se despedir do bebê ao sair, sempre dar tchau;
5. Demonstrar confiança e alegria ao deixá-lo;
6. Responder rapidamente ao choro do bebê;
7. Durante o dia faça pequenas separações do bebê, ir a outro cômodo e deixá-lo só mas escutando sua voz para que aos poucos se entenda que você voltará, que continua existindo quando sai do campo de visão dele. Brincar de esconde-esconde ajuda bastante nessa fase;
8. Evitar transferência de colo para colo. Apesar dessa ser a prática comum, entregar o bebê ao cuidador no colo, esse simples ato cria ansiedade na criança que sai dos braços da mãe para o de outra pessoa, gera um desconforto físico que só aumenta a ansiedade. Assim o ideal é fazer a transferência em outro ambiente, como no chão enquanto o bebê brinca. Inclua o cuidador nessa brincadeira, você da tchau e sai, esse é o momento do cuidador pegá-lo, aumentar a interação com o bebê."
Referências:
Artigo: A imagem corporal e a constituição do eu.
Texto: Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança
Livro: Soluções para noites sem choro. Elizabeth Pantley. M Books, 2003.
Livro: O Livro da maternagem: para mães, pais, cuidadores e doulas. Thelma B. Oliveira, Ed Schoba, 2012.
(via: Aventuras Maternais)
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013
amor, respeito e empatia - criação positiva e disciplina com apego
há pouco tempo contei aqui no blog como se deu a descoberta da nossa criação com apego, e quem acompanha a nossa página também tem visto postagens e compartilhamentos que dizem respeito à uma forma de orientação das crianças sem violência, mais respeitosa e empática.
viemos de uma geração que foi criada com violência (física, verbal e emocional) e é natural que, num primeiro momento, consideremos essa a melhor forma de conduzir a educação de uma criança. se posicionar contra palmadas e gritos é, além de quebrar um ciclo muito presente na nossa cultura, também admitir que não fomos tratados com o respeito e o amor que merecíamos. não é fácil tirar os pais do pedestal e enxergá-los como os humanos passíveis de erros que são, mexer no passado e enxergar as dores da nossa infância, dar ouvidos à criança que fomos um dia.
Carlos e eu adotamos um mix de criação com apego e disciplina positiva na educação da Mallu. isso não significa que temos um livro de regrinhas a seguir, mas sim que procuramos nos colocar no lugar dela a cada situação que enfrentamos enquanto família. em vez de colocar um rótulo de "chorona", "birrenta", "difícil", decidimos buscar entender o que ela está sentindo e qual a melhor forma de superarmos aquele momento difícil juntos.
um bebê (ou uma criança) não tem o mesmo desenvolvimento cognitivo e emocional que um adulto, e sei que isso parece óbvio quando dito assim, mas muitas vezes ignoramos na vida prática. quando sentimos raiva ou frustração porque nosso filho não obedece o que estamos mandando geralmente não levamos em consideração que talvez ele nem esteja entendendo o que queremos dizer com aquela rispidez e palavras de ordem. quando batemos achando que "está doendo mais em nós que neles" e que "se não apanhar em casa, vai apanhar na rua" ignoramos o fato de que o nosso descontrole emocional é o que nos leva a agressividade e, principalmente, que a violência é cíclica (o oprimido que mais tarde se transforma no opressor).
atitudes simples podem contribuir com a evolução desse relacionamento pai/mãe-filho, como controlar a raiva antes de agir, tentar entender as emoções do bebê/da criança que faz "pirraça" e ajudar que ele/ela também entenda e expresse de outra forma, respeitar seus limites de assimilação e mostrar quais são as consequências de seus atos em vez de puni-los simplesmente.
nós temos a responsabilidade de tornar o mundo mais amoroso, respeitoso e empático. vamos construir uma história consciente e feliz ao lado dos nossos filhos?
* imagens retiradas da página Bater em criança é covardia.
* mais informações sobre disciplina positiva na página Crescer sem violência.
viemos de uma geração que foi criada com violência (física, verbal e emocional) e é natural que, num primeiro momento, consideremos essa a melhor forma de conduzir a educação de uma criança. se posicionar contra palmadas e gritos é, além de quebrar um ciclo muito presente na nossa cultura, também admitir que não fomos tratados com o respeito e o amor que merecíamos. não é fácil tirar os pais do pedestal e enxergá-los como os humanos passíveis de erros que são, mexer no passado e enxergar as dores da nossa infância, dar ouvidos à criança que fomos um dia.
Carlos e eu adotamos um mix de criação com apego e disciplina positiva na educação da Mallu. isso não significa que temos um livro de regrinhas a seguir, mas sim que procuramos nos colocar no lugar dela a cada situação que enfrentamos enquanto família. em vez de colocar um rótulo de "chorona", "birrenta", "difícil", decidimos buscar entender o que ela está sentindo e qual a melhor forma de superarmos aquele momento difícil juntos.
um bebê (ou uma criança) não tem o mesmo desenvolvimento cognitivo e emocional que um adulto, e sei que isso parece óbvio quando dito assim, mas muitas vezes ignoramos na vida prática. quando sentimos raiva ou frustração porque nosso filho não obedece o que estamos mandando geralmente não levamos em consideração que talvez ele nem esteja entendendo o que queremos dizer com aquela rispidez e palavras de ordem. quando batemos achando que "está doendo mais em nós que neles" e que "se não apanhar em casa, vai apanhar na rua" ignoramos o fato de que o nosso descontrole emocional é o que nos leva a agressividade e, principalmente, que a violência é cíclica (o oprimido que mais tarde se transforma no opressor).
atitudes simples podem contribuir com a evolução desse relacionamento pai/mãe-filho, como controlar a raiva antes de agir, tentar entender as emoções do bebê/da criança que faz "pirraça" e ajudar que ele/ela também entenda e expresse de outra forma, respeitar seus limites de assimilação e mostrar quais são as consequências de seus atos em vez de puni-los simplesmente.
nós temos a responsabilidade de tornar o mundo mais amoroso, respeitoso e empático. vamos construir uma história consciente e feliz ao lado dos nossos filhos?
* imagens retiradas da página Bater em criança é covardia.
* mais informações sobre disciplina positiva na página Crescer sem violência.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
entre as expectativas mirabolantes e as reais vivências maternas
meu sonho de vida sempre foi ser mãe. eu sabia desde bem nova que nasci pra isso.
frequentemente me imaginava linda, radiante, jorrando amor por todos os poros, enquanto empurrava um carrinho de bebê pelo parque ou observava meu anjinho dormir tranquilo no berço.
opa, peraí. linda e radiante? empurrar carrinho por aí? observar bebê quietinho no berço? acho que não estou falando da mesma mãe que me tornei, não é? e, admito, isso foi muito frustrante no início da minha maternagem.
o que eu acompanhava sobre maternidade era uma realidade muito diferente da que descobri como sendo a minha tempos depois. antes mesmo de engravidar lia blogs de mães que contavam sobre o enxoval, as fotos do book gestante, a arrumação do quartinho, a banheira caríssima e trambolhenta (dica que eu sempre lia por aí: comprar com suporte porque depois da cesárea não dá pra ficar abaixando pra dar banho em bebê). sempre quis um parto normal, mas, ah, se fosse cesárea tudo bem, "o importante é o bebê vir com saúde". amamentar achava bacana, mas mamadeira e chupeta seriam partes essenciais do enxoval. e é claro que meu bebê dormiria em seu bercinho, no quartinho decorado pra ele, ao som da música do móbile superestimulante. eu poderia descansar enquanto o bebê dormisse - cada um no seuquadrado quarto, e continuar frequentando o salão e quem sabe até a academia. bebê conforto + carrinho estão aí pra facilitar a vida, não é mesmo? perto do primeiro ano do meu filho eu já teria meu corpo novinho em folha de volta, minha vida profissional tranquila e estável, o amor da minha criancinha que seria sempre tão calminha e risonha e sairia aos fins-de-semana só com o marido ou os amigos de boteco, afinal, ninguém é de ferro.
sim, eu tinha uma alma menasmain. e antes mesmo da Mallu nascer fui obrigada a me reconstruir dentro dessas idealizações malucas. lutei pra parir, não aceitaria uma cesárea e "vocês estão bem, isso que importa" como consolo de forma alguma. a amamentação foi uma bandeira que ergui e abracei desde a primeira hora de vida da minha filha. e por mais "esse peito não tem leite" ou "ela tá com fome, seu leite não sustenta" que tenham cruzado meu caminho, continuamos firmes e fortes no nosso vínculo alimento-segurança-amor.
tive que ajustar minhas expectativas e aprender a respeitar o ritmo daquele bebê que recebi: uma menina doce, com uma necessidade imensa de colo, de atenção exclusiva, de mamar exaustivamente, de dormir grudada em mim. o berço virou objeto de decoração e minha cama o nosso ninho. nos primeiros meses sofri com isso, os braços doíam de dormir abraçada com a Mallu, eu acordava mais ou menos 5 vezes por noite pra amamentar, não conseguia ir ao banheiro durante o dia enquanto ela dormia porque todas as sonecas eram no meu colo, almoçava em pé ninando a pequena com um braço e usando o outro pra comer. nunca gostou de ficar no carrinho, se eu insistia logo vinha um escândalo, e a única forma de carregá-la era o colo ou o sling. chorei muitas vezes achando que estava cometendo algum erro, que não era possível que só eu seria premiada com um bebê tão "dependente" (e algum bebê nasce independente nesse mundo, gente?). pedia conselhos à quem achava valer a pena e me enfurecia com os palpites maldosos e pessimistas de quem ousava se intrometer. ainda que aquela maternidade que eu exercia no dia-a-dia não fosse nada parecida com tudo que li e ouvi antes de ser mãe, me recusava a desrespeitar as particularidades da minha filha.
aos poucos percebi - e, o mais importante, aceitei - que simplesmente aquela era a Mallu. o bebê da propaganda que dorme quietinho no berço ou o recém-nascido da minha amiga que fica tranquilo e sozinho no carrinho não são melhores que ela, são apenas diferentes. e aquela que passava a maior parte do tempo descabelada e com olheiras, cheirando a leite e com os braços preenchidos por um bebê gordinho, era a mãe que eu escolhi ser. eu poderia ter escolhido deixá-la chorar pra "aprender", dar outro leite por praticidade, delegar os cuidados à outras pessoas - mas eu escolhi ser a mãe que ela merece que eu seja.
é certo que quando nasce um bebê nasce também uma mãe, mas o que ninguém nos conta é que essa mãe não nasce pronta. o bebê recém-chegado ao mundo modifica todo o nosso universo particular, e temos que aprender no exercício do dia-a-dia a lidar com essas mudanças. a maternidade pode ser uma bênção mas pra isso é preciso aceitá-la de peito aberto.
passei a ver com mais amor e empatia as necessidades da minha filha. entendi que algumas coisas precisarão ser adiadas, por pura questão de prioridade. abracei minha pequena na hora de dormir e me permiti sentir o cheirinho da sua pele, o contorno do seu corpinho grudado ao meu, o som da sua respiração tranquila. carregá-la no sling passou a ser uma forma de dividir com ela meu ponto de vista sobre a vida que nos cerca. os banhos abandonaram a banheira e foram para o chuveiro, pele com pele e um tetê de brinde. brincamos as duas sentadas no chão e conversamos usando os sons que ela me ensina, as palavrinhas que descobriu como falar. não tenho mais vontade de sair sem ela, pelo menos não agora. o tempo passa tão rápido e logo meu colo vai ser pequeno demais comparado ao mundo lá fora. encontrei o prazer em maternar da forma que tomei como minha, esqueci o lugar-comum da mãe que imaginei que seria.
me permiti ser feliz na nossa díade mãe-filha, esqueci a idéia de que preciso me encaixar naquele modelo de mãe que vendem por aí. o resultado disso é uma mulher mais segura, uma mãe mais amorosa e uma filha mais feliz. Mallu é um bebê simpático, risonho, alegre. a cada nova fase de desenvolvimento vem conquistando mais autonomia e segurança, e sei que isso é reflexo da criação apegada que recebe. ela sabe dar carinho e sabe recusar o que não lhe agrada, deixando claro que, da forma inicialmente primitiva que tem domínio nesse momento, já entendeu que merece ser respeitada.
tenho muito orgulho de todo esse caminho que percorremos até aqui - da chupeta que dei ainda na maternidade e joguei fora quando vi que não precisávamos dela, do abraço na madrugada aceitando a nossa cama compartilhada, do peito pra fora em qualquer lugar que seja pra matar a necessidade de fome ou de aconchego, de permitir que ela dê seus primeiros passinhos rumo a conhecer o mundo à sua volta, mostrando sempre que estou logo ali do lado.
assim como ela nasceu de um parto em que trabalhos juntas e aprendeu a mamar enquanto eu aprendia a amamentar, sei que vamos continuar de mãos dadas e corações unidos em cada nova descoberta - ela como filha, eu como mãe, nós duas como apaixonadas que somos uma pela outra.
ainda não fiz escolha melhor que respeitar e amar a pessoa-Mallu e a pessoa-Ana. formamos uma dupla e tanto.
frequentemente me imaginava linda, radiante, jorrando amor por todos os poros, enquanto empurrava um carrinho de bebê pelo parque ou observava meu anjinho dormir tranquilo no berço.
opa, peraí. linda e radiante? empurrar carrinho por aí? observar bebê quietinho no berço? acho que não estou falando da mesma mãe que me tornei, não é? e, admito, isso foi muito frustrante no início da minha maternagem.
o que eu acompanhava sobre maternidade era uma realidade muito diferente da que descobri como sendo a minha tempos depois. antes mesmo de engravidar lia blogs de mães que contavam sobre o enxoval, as fotos do book gestante, a arrumação do quartinho, a banheira caríssima e trambolhenta (dica que eu sempre lia por aí: comprar com suporte porque depois da cesárea não dá pra ficar abaixando pra dar banho em bebê). sempre quis um parto normal, mas, ah, se fosse cesárea tudo bem, "o importante é o bebê vir com saúde". amamentar achava bacana, mas mamadeira e chupeta seriam partes essenciais do enxoval. e é claro que meu bebê dormiria em seu bercinho, no quartinho decorado pra ele, ao som da música do móbile superestimulante. eu poderia descansar enquanto o bebê dormisse - cada um no seu
sim, eu tinha uma alma menasmain. e antes mesmo da Mallu nascer fui obrigada a me reconstruir dentro dessas idealizações malucas. lutei pra parir, não aceitaria uma cesárea e "vocês estão bem, isso que importa" como consolo de forma alguma. a amamentação foi uma bandeira que ergui e abracei desde a primeira hora de vida da minha filha. e por mais "esse peito não tem leite" ou "ela tá com fome, seu leite não sustenta" que tenham cruzado meu caminho, continuamos firmes e fortes no nosso vínculo alimento-segurança-amor.
tive que ajustar minhas expectativas e aprender a respeitar o ritmo daquele bebê que recebi: uma menina doce, com uma necessidade imensa de colo, de atenção exclusiva, de mamar exaustivamente, de dormir grudada em mim. o berço virou objeto de decoração e minha cama o nosso ninho. nos primeiros meses sofri com isso, os braços doíam de dormir abraçada com a Mallu, eu acordava mais ou menos 5 vezes por noite pra amamentar, não conseguia ir ao banheiro durante o dia enquanto ela dormia porque todas as sonecas eram no meu colo, almoçava em pé ninando a pequena com um braço e usando o outro pra comer. nunca gostou de ficar no carrinho, se eu insistia logo vinha um escândalo, e a única forma de carregá-la era o colo ou o sling. chorei muitas vezes achando que estava cometendo algum erro, que não era possível que só eu seria premiada com um bebê tão "dependente" (e algum bebê nasce independente nesse mundo, gente?). pedia conselhos à quem achava valer a pena e me enfurecia com os palpites maldosos e pessimistas de quem ousava se intrometer. ainda que aquela maternidade que eu exercia no dia-a-dia não fosse nada parecida com tudo que li e ouvi antes de ser mãe, me recusava a desrespeitar as particularidades da minha filha.
aos poucos percebi - e, o mais importante, aceitei - que simplesmente aquela era a Mallu. o bebê da propaganda que dorme quietinho no berço ou o recém-nascido da minha amiga que fica tranquilo e sozinho no carrinho não são melhores que ela, são apenas diferentes. e aquela que passava a maior parte do tempo descabelada e com olheiras, cheirando a leite e com os braços preenchidos por um bebê gordinho, era a mãe que eu escolhi ser. eu poderia ter escolhido deixá-la chorar pra "aprender", dar outro leite por praticidade, delegar os cuidados à outras pessoas - mas eu escolhi ser a mãe que ela merece que eu seja.
é certo que quando nasce um bebê nasce também uma mãe, mas o que ninguém nos conta é que essa mãe não nasce pronta. o bebê recém-chegado ao mundo modifica todo o nosso universo particular, e temos que aprender no exercício do dia-a-dia a lidar com essas mudanças. a maternidade pode ser uma bênção mas pra isso é preciso aceitá-la de peito aberto.
passei a ver com mais amor e empatia as necessidades da minha filha. entendi que algumas coisas precisarão ser adiadas, por pura questão de prioridade. abracei minha pequena na hora de dormir e me permiti sentir o cheirinho da sua pele, o contorno do seu corpinho grudado ao meu, o som da sua respiração tranquila. carregá-la no sling passou a ser uma forma de dividir com ela meu ponto de vista sobre a vida que nos cerca. os banhos abandonaram a banheira e foram para o chuveiro, pele com pele e um tetê de brinde. brincamos as duas sentadas no chão e conversamos usando os sons que ela me ensina, as palavrinhas que descobriu como falar. não tenho mais vontade de sair sem ela, pelo menos não agora. o tempo passa tão rápido e logo meu colo vai ser pequeno demais comparado ao mundo lá fora. encontrei o prazer em maternar da forma que tomei como minha, esqueci o lugar-comum da mãe que imaginei que seria.
me permiti ser feliz na nossa díade mãe-filha, esqueci a idéia de que preciso me encaixar naquele modelo de mãe que vendem por aí. o resultado disso é uma mulher mais segura, uma mãe mais amorosa e uma filha mais feliz. Mallu é um bebê simpático, risonho, alegre. a cada nova fase de desenvolvimento vem conquistando mais autonomia e segurança, e sei que isso é reflexo da criação apegada que recebe. ela sabe dar carinho e sabe recusar o que não lhe agrada, deixando claro que, da forma inicialmente primitiva que tem domínio nesse momento, já entendeu que merece ser respeitada.
tenho muito orgulho de todo esse caminho que percorremos até aqui - da chupeta que dei ainda na maternidade e joguei fora quando vi que não precisávamos dela, do abraço na madrugada aceitando a nossa cama compartilhada, do peito pra fora em qualquer lugar que seja pra matar a necessidade de fome ou de aconchego, de permitir que ela dê seus primeiros passinhos rumo a conhecer o mundo à sua volta, mostrando sempre que estou logo ali do lado.
assim como ela nasceu de um parto em que trabalhos juntas e aprendeu a mamar enquanto eu aprendia a amamentar, sei que vamos continuar de mãos dadas e corações unidos em cada nova descoberta - ela como filha, eu como mãe, nós duas como apaixonadas que somos uma pela outra.
ainda não fiz escolha melhor que respeitar e amar a pessoa-Mallu e a pessoa-Ana. formamos uma dupla e tanto.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
como ser excluída do clubinho das ativistas com um post - ou: mais amor, por favor
participo de vários grupos (on e off-line) que reúnem mulheres que se interessam por parto, amamentação e maternagem em geral. considero espaços de muita importância para a construção do empoderamento materno - é onde podemos encontrar e compartilhar informações, evidências científicas, relatos de experiências pessoais. mas infelizmente o que tenho notado é que algumas pessoas participam pelo simples prazer de se sentirem maiores ou melhores que outras.
claro que existem grupos com temas específicos como, por exemplo, sobre parto natural. as mulheres que ali estão, em sua maioria, buscam um nascimento respeitoso e livre de intervenções desnecessárias para seus filhos. outras mulheres estão ali para partilhar o conhecimento que possuem sobre o assunto, outras para dar seu relato de vivência de parto, outras tantas estão construindo internamente um caminho que ainda pretendem percorrer. muitas são as dúvidas, algumas consideradas 'ingênuas' por quem já convive no meio ativista há mais tempo, e começa aí uma abordagem que só vejo enfraquecer o movimento: respostas grosseiras, desestimulantes, arrogantes - uma imensa disputa de egos.
às vezes tenho a impressão de que algumas ativistas têm um caderninho em mãos e vão classificando cada mulher/mãe de acordo com suas vivências e escolhas: "fez cesárea? eletiva ou intraparto? amamentou? exclusivamente até os 6 meses? amamentação prolongada? faz cama compartilhada? o bebê usa chupeta? carrega no sling ou no carrinho?" e aí decidem se aquela é uma boa mãe ou não, se merece respeito e boa vontade ou é só mais uma "mãezinha".
acontece que cada pessoa é um mundo inteiro; simplificar tanta subjetividade é de muitíssima ignorância e prepotência. por mais que não estejamos de acordo com as escolhas que outras mulheres/mães fazem, isso não significa que somos detentoras da razão ou melhores que elas, independente do respaldo científico(ou do clubinho das 'índias-ativistas-chiitas') que temos.
quero deixar claro que de forma alguma estou fazendo coro ao "culpa, não!" que tem surgido por aí. acredito piamente que cada mulher/mãe precisa assumir a responsabilidade de suas escolhas e lidar com as consequências que elas trarão. quem me conhece sabe muito bem que sou a "chata do parto humanizado, da amamentação, da criação com apego", pois é o que vivo e o que tento passar adiante no meio em que convivo. mas admito e aceito com humildade que o fato de ter parido, por exemplo, não me faz melhor que uma mãe que escolheu fazer uma cirurgia de extração fetal - me faz mais bem informada e empoderada - mas não melhor.
se o que idealiziamos é mais força e instrução para todas as mulheres, se acreditamos que isso sim vai fortalece-las e empodera-las, como adotar a exclusão poderia ser benéfico? é preciso acolher, incluir, partilhar. a nossa luta é pelo o todo, e não por um clubinho exclusivo.
no meio feminista o conceito de sororidade tem ganhado cada vez mais força, e talvez fosse a hora de levantarmos essa bandeira também nos grupos e rodas sobre maternidade. precisamos nos reconhecer como iguais, perceber que estamos do mesmo lado na batalha, que juntas somos mais fortes. não é menosprezando ou humilhando uma mulher/mãe que vamos conseguir acabar com a violência obstétrica ou a falta de empoderamento materno. já existe todo um sistema tecnocrata e machista para nos oprimir. nós precisamos unir forças, trabalhar com amor e respeito umas pelas outras.
deixo por fim uma citação de Simone de Beauvoir: "o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos."
claro que existem grupos com temas específicos como, por exemplo, sobre parto natural. as mulheres que ali estão, em sua maioria, buscam um nascimento respeitoso e livre de intervenções desnecessárias para seus filhos. outras mulheres estão ali para partilhar o conhecimento que possuem sobre o assunto, outras para dar seu relato de vivência de parto, outras tantas estão construindo internamente um caminho que ainda pretendem percorrer. muitas são as dúvidas, algumas consideradas 'ingênuas' por quem já convive no meio ativista há mais tempo, e começa aí uma abordagem que só vejo enfraquecer o movimento: respostas grosseiras, desestimulantes, arrogantes - uma imensa disputa de egos.
às vezes tenho a impressão de que algumas ativistas têm um caderninho em mãos e vão classificando cada mulher/mãe de acordo com suas vivências e escolhas: "fez cesárea? eletiva ou intraparto? amamentou? exclusivamente até os 6 meses? amamentação prolongada? faz cama compartilhada? o bebê usa chupeta? carrega no sling ou no carrinho?" e aí decidem se aquela é uma boa mãe ou não, se merece respeito e boa vontade ou é só mais uma "mãezinha".
acontece que cada pessoa é um mundo inteiro; simplificar tanta subjetividade é de muitíssima ignorância e prepotência. por mais que não estejamos de acordo com as escolhas que outras mulheres/mães fazem, isso não significa que somos detentoras da razão ou melhores que elas, independente do respaldo científico
quero deixar claro que de forma alguma estou fazendo coro ao "culpa, não!" que tem surgido por aí. acredito piamente que cada mulher/mãe precisa assumir a responsabilidade de suas escolhas e lidar com as consequências que elas trarão. quem me conhece sabe muito bem que sou a "chata do parto humanizado, da amamentação, da criação com apego", pois é o que vivo e o que tento passar adiante no meio em que convivo. mas admito e aceito com humildade que o fato de ter parido, por exemplo, não me faz melhor que uma mãe que escolheu fazer uma cirurgia de extração fetal - me faz mais bem informada e empoderada - mas não melhor.
se o que idealiziamos é mais força e instrução para todas as mulheres, se acreditamos que isso sim vai fortalece-las e empodera-las, como adotar a exclusão poderia ser benéfico? é preciso acolher, incluir, partilhar. a nossa luta é pelo o todo, e não por um clubinho exclusivo.
no meio feminista o conceito de sororidade tem ganhado cada vez mais força, e talvez fosse a hora de levantarmos essa bandeira também nos grupos e rodas sobre maternidade. precisamos nos reconhecer como iguais, perceber que estamos do mesmo lado na batalha, que juntas somos mais fortes. não é menosprezando ou humilhando uma mulher/mãe que vamos conseguir acabar com a violência obstétrica ou a falta de empoderamento materno. já existe todo um sistema tecnocrata e machista para nos oprimir. nós precisamos unir forças, trabalhar com amor e respeito umas pelas outras.
deixo por fim uma citação de Simone de Beauvoir: "o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos."
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Nós ♥ Fraldas de pano: Como começar a usar - Modelos - Links de vendedoras
dicas de como começar a usar:
- eu, particularmente, escolhi comprar apenas de fabricantes nacionais. existem fraldas importadas, principalmente da China, que saem mais em conta financeiramente do que as fabricadas aqui. pra tomar essa decisão avaliei dois pontos que me são importantes: 1) prestigiar o trabalho de mulheres e mães que escolheram empreender pra ficar em casa cuidando de seus filhotes; 2) produtos fabricados na China geralmente contém resíduos químicos nocivos à saúde, e nunca sabemos a real procedência dos materiais, as condições de trabalho na fábrica, se "empregam" crianças e etc.
outro ponto positivo dessa escolha foi que, sempre que tive um probleminha ou outro com a fralda ou com o uso, as vendedoras ou fabricantes tiveram uma super disposição em me ajudar a resolver. essa é uma escolha pessoal minha, eu só compro de quem faz aqui no Brasil. no final do post também deixarei links de vendedoras de fraldas importadas pra quem optar por comprá-las.
- a princípio compre de um pouco de várias marcas diferentes. só testando no corpinho do seu bebê você vai saber qual se adapta e atende melhor as suas necessidades. eu, por exemplo, sou apaixonada pela Fio da Terra, mas conheço quem não tenha se adaptado de jeito nenhum. recebi a seguinte dica há alguns dias: para bebês mais gordinhos - fralda com ajuste de botão, bebês mais magrinhos - fralda com ajuste de velcro. seguindo essa lógica acredito que as fraldas de velcro são melhores para os recém-nascidos.
e se você não se adaptar com marca X ou Y? existem grupos de venda e troca de fraldas de pano usadas no facebook, sempre é possível desapegar (ou adquirir fraldinhas semi-novas a preços módicos). a loja Ecco, mama! tem um programa que considero fantástico (e por onde comecei o uso aqui em casa): é um kit teste onde você escolhe as fraldas e os absorventes que quer, de diferentes marcas ou não, e testa por 3 semanas. os que não gostar, devolve pra loja e recebe em créditos o valor integral das fraldas que devolveu. se não gostar de nenhum, devolve tudo e é reembolsado o valor integral investido. não é perfeito?! para mais detalhes, entrem em contato com a Débora, dona da loja.
- como citado no tópico acima, as fraldas precisam ser usadas com absorventes. são feitos em vários tecidos diferentes - com maior ou menor absorção, naturais ou sintéticos, noturnos ou diurnos, etc. nos próximos posts explicarei melhor sobre os absorventes, com fotos dos que eu tenho e combinações que deram certo por aqui. as fraldas cremer (aquelas branquinhas que a vovó usava, lembra?) são ótimos absorventes e de facílimo acesso.
- a quantidade de fraldas necessárias vai depender de vários fatores como a frequência das lavagens, o tempo de secagem e a quantidade de xixis/cocôs que o bebê faz por dia. entre capas, fitteds e pockets, temos em casa 12 fraldas. como dito no post anterior, ainda usamos cerca de 2 fraldas descartáveis por dia mesmo com essa quantidade de fraldas de pano. no nosso caso o problema é o tempo de secagem porque não temos em casa uma área aberta que receba sol diretamente.
acredito que a média para usar exclusivamente as fraldas de pano e não ficar na mão (lavando a cada 2 dias, por exemplo), é entre 20 e 30 fraldas.
sobre os modelos:
quando comecei a pesquisar sobre as fraldas de pano modernas fiquei meio perdida nos nomes: pockets, fitteds, capas, pul, soft... era todo um novo mundo e eu não entendia nada de nada. admito que isso me deu uma desanimada, e por isso vou tentar explicar pra vocês de forma bem simples o que aprendi até agora:
- pockets: são fraldas com bolso interno. geralmente são feitas dos seguintes materiais: algodão por fora (onde você vê a estampa), impermeável intermediário (geralmente é em pul), microsoft por dentro (um tecido que 'enxuga' o líquido e deixa a sensação de seco na pele do bebê). você pode usar com o absorvente dentro do bolso, aproveitando a cama de microsoft ou com o absorvente fora do bolso, como uma capa. os ajustes podem ser de botão ou velcro, e podem ser por tamanho (RN, P, M, G, GG) ou tamanho único (TU), que são também ajustáveis nas pernas e nas costas por elásticos caseados. a TU pode ser usada aproximadamente dos 3 aos 15kgs - do nascimento ao desfralde, uma senhora economia.
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| fralda pocket TU da Fio da Terra |
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| fralda pocket fase A-B da Fralda Bonita. os ajustes em velcro não funcionaram por aqui e fui muito bem atendida e orientada em como melhorar o uso pela fabricante. |
- capas:
lembra a calça enxuta da mamãe ou da vovó? é quase igual. o uso é o mesmo, mas o material é mais resistente (e bem mais bonitinho).
as capas são por tamanho e ajustáveis na cintura e na perna por botões.
podem ser de algodão + impermeável como esta da primeira foto, ou feitas já de impermeável, como a segunda que é toda em pul estampado.
as
capas tem secagem mais rápida, especialmente a que é feita toda em pul.
não contém bolsos para colocar o absorvente, portanto ele tem contato
direto com a pele do bebê.
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| capa em pul tamanho GG da Ninho da Coruja |
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| capa tamanho GG da Ninho da Coruja |
também são vendidas por tamanho. secam mais rápido por serem feitas em algodão, e esse suporte anti-vazamentos é maravilhoso! ajuste feitos por botão/velcro.
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| capa tamanho G da Efral |
- fitteds:
são fraldas feitas sem impermeável, em algodão + algodão. mais respiráveis, ideais para o calor. precisam ser checadas com mais frequência pra que não ocorram vazamentos. aqui uso com um suporte anti-vazamentos e amo! também são vendidas por tamanho e o ajuste é feito por botões ou velcro.
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| fitted tamanho G da Ninho da Coruja - acho a modelagem muito parecida com as pockets Fio da Terra |
são confeccionadas em microsoft + impermeável + microsoft, aumentando assim o poder de absorção. podem ser usadas como pockets (o ideal) ou como capas. ajustes feitos por elásticos caseados e botões/velcro.
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| fralda noturna TU da Chiquita Bakana |
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| fralda noturna fase A-B da Fralda Bonita |
existe também o modelo AIO (all in one), que é uma fralda montada: já com impermeável e absorvente. não tenho nenhuma desse tipo porque demoram mais a secar, mas sei da praticidade na hora da troca, principalmente para mandar para creches ou deixar com outro cuidador. é só colocar no bebê e fechar, assim como as descartáveis.
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espero que tenham gostado e se apaixonado ainda mais pelas fraldinhas. estou a disposição para esclarecer quaisquer dúvidas, e o que eu não souber (ainda sou novata nesse mundo, rs) pergunto pras amigas mais experientes e trago a resposta pra vocês. podem perguntar também na página do blog (caixinha ali do lado direito, no comecinho da página).
onde comprar?*
vendedoras queridas de quem já comprei e fui muito bem atendida:
Débora Ribeiro de Oliveira - loja Ecco, mama! - perfil do facebook. a loja on-line está em manutenção.
Verde Bebê - Loja - Página do facebook. a Francis é um amor, super acessível.
Origami Mommy - página do facebook.
Silvia Ferreira - perfil do facebook.
- fabricantes:
Dayane Lima - fraldas Baby Bio - página do facebook.
Isabel Calheiros - fraldas Fio da Terra - loja
Luisa Cardoso - fraldas Papuda - página do facebook
Áquila Priscila - fraldas Toque da Natureza - página do facebook
Simone Padilha - fraldas Sementinha Bebê - loja
Laís de Oliveira - fraldas Nós e o Davi - loja
Ana Carolina Botelho Pires - fraldas Ana Faz - loja - página do facebook
Raquel - fraldas Ninho da Coruja - loja - página do facebook
Michely Miguelote - fraldas Chiquita Bakana - loja
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*este não é um plubieditorial. não estou recebendo nada para deixar o link das vendedoras e/ou fabricantes.
domingo, 17 de novembro de 2013
Nós ♥ Fraldas de Pano
quando ouvi falar sobre as fraldas de pano modernas pela primeira vez, ainda na gestação, pensei que era um enorme retrocesso. ouvi a vida inteira minha mãe, tias e a avós contando a luta diária de lavar à mão mais de 30 fraldas por dia, os alfinetes que soltavam e espetavam o bebê, as fitas que não prendiam nada, os cocôs grudentos esfregados um a um no tanque. deus me livre querer mais aquela ocupação para o meu dia-a-dia, até porque hoje as fraldas descartáveis são práticas e relativamente acessíveis.
ganhei muitos pacotes das fraldas descartáveis das minhas amigas da faculdade, das colegas de trabalho e de familiares, o que me deixou despreocupada com relação à reabastecer o estoque por um bom tempo. acontece que a medida que a Mallu foi crescendo uma alergiazinha foi aparecendo dependendo da marca da fralda que usávamos. só aí mais de 20 pacotes foram perdidos. e a medida que testávamos outros, eu percebia que a pele passava por vermelhidão, às vezes ficava áspera, apareciam uns cortezinhos. não queria que minha pequena passasse por aquilo, com tantos componentes químicos em contato direto com partes tão sensíveis do seu corpo... e também não queria jogar tanta fralda no lixo sabendo que iam demorar centenas de anos pra se decompor. decidi voltar a pesquisar sobre as tais fraldas de pano modernas com as quais tive contato breve durante a gestação.
foi amor à segunda vista! li muito sobre o assunto, entrei em grupos de mães e fabricantes (sim, geralmente os dois ao mesmo tempo, o que é super bacana porque assim apoiamos o empreendedorismo de mães como nós), conversei com algumas pessoas que aderiram à causa, e decidi que queria isso pra Mallu e queria isso pro planeta.
assim que pude fui num encontro de mães aqui em BH onde a Débora (da loja Ecco, mama!) estaria com as fraldinhas pra vender e pra explicar sobre o uso. ela foi super receptiva, me deu algumas dicas e fiz minha primeira compra: 1 fralda Efral, 1 capa Ninho da Coruja, 2 fraldas pocket Fio da Terra, 2 absorventes atoalhados e 2 liners de soft (não se intimidem, em outro post vou explicar todos esses nomes e a funcionalidade de cada acessório timtim por timtim).
era um acervo bem pequeno mas deu pra começar a testar. e aí sim o amor se consolidou! Mallu ficou super confortável desde o primeiro uso, não se sentiu incomodada com nada. já de início a combinação absorvete atoalhado + capa durou mais de 3hrs de uso (que também é o tempo médio recomendado para a troca da fralda descartável). sem contar que as fraldinhas são as coisas mais lindas e fofas desse mundo, dá vontade de comprar uma de cada
ainda estamos em fases de testes - usando marcas diferentes, combinações de absorventes e tecidos diversos, avaliando o que atende melhor as necessidades em cada horário e etc. já substituímos quase por completo o uso das fraldas descartáveis pelas fraldas de pano (geralmente usamos 1 descartável pra dormir e outra se houver necessidade - como temos ainda poucas de pano não dá tempo de lavar e secar pro uso ser contínuo). minha meta é que até o próximo mês só reine aqui o bumbunzão de pano.
ah, e o trauma que minhas queridas mãe, tias e avós me passaram? sumiu! a lavagem é muito simples e prática, não gasto mais de 10 minutos do meu dia com isso. e a economia também se reflete em outros detalhes, já que usa-se pouquíssimo sabão (ou nenhum) nas lavagens, é proibido usar amaciante e passar as fraldas a ferro.
pra quem está em dúvida se vale a pena o investimento: sim, vale muito a pena! seu bolso agradece, a pele do seu bebê ainda mais e cada ser vivo do nosso planeta também! acredito que o que nós fazemos tem o poder de transformar o mundo e que viver é um ato político. estamos sempre tomando partido de causas que nos são pares mesmo que sem total consciência disso. algo que parece pouco a primeira vista pode mudar um pedacinho do nosso futuro e do nosso mundo, e isso é uma responsabilidade incrível.
sobre a lavagem, a nossa rotina de uso e o 'abc' das fraldas conto durante a semana em outras postagens. no fim dos posts deixarei também os contatos das vendedoras de quem já comprei (todas um amor).
Por que usar fraldas de pano?
Um bebê utiliza em média 5000 fraldas descartáveis até o desfralde
Cada fralda descartável levará de 250 a 500 anos para ser decomposta
2% dos lixos urbanos são fraldas descartáveis
No Brasil, mais de 200 fraldas são descartadas POR SEGUNDO (17.625.600 fraldas por dia!!!)
A fralda de pano consome água, sabão e energia elétrica para ser lavada, mas a descartável também consumiu água, energia e celulose para ser feita. Ah, ela também liberou toxinas no processo de branqueamento!
Fraldas lavadas com consciência e economia dos recursos com certeza consumirão menos que as descartáveis.
A água utilizada na lavagem das fraldas pode ser reaproveitada para lavar a casa, o quintal, etc.
As fezes são despejadas diretamente no vaso sanitário ao invés de serem acumuladas nos lixões, o que causa ploriferamento de doenças.
Fraldas de pano NÃO PRECISAM (e não devem!) SER PASSADAS! Economizam energia, tempo e dinheiro!
Cuidados com o bebê
Fraldas descartáveis estão cheias de toxinas, poluentes e de um pó que se torna o gel absorvente (SAP - poliacrilado de sódio), relacionado à síndrome do choque tóxico¹.
Fraldas descartáveis estão relacionadas a casos de superaquecimento escrotal, que pode levar a infertilidade na idade adulta².
Fraldas de pano evitam dermatites e assaduras.
Fraldas de pano não requerem o uso de pomadas, o que permite que a pele respire e desenvolva sua imundade!
Ao usar fraldas de pano os pais necessariamente desenvolvem sua interação com o bebê, atentando para o ritmo biológico dos filhos e reparando mais prontamente se houver alterações no mesmo.
Conforto para o bebê: imagine-se usando absorventes menstruais descartáveis por 700 dias ininterruptos. Colabore com seu filho, coloque uma fralda de pano nele!
1 Allsopp, Michelle. Achieving Zero Dioxin: An emergency strategy for dioxin elimination. Setembro, 1994. Greenpeace. http://archive.greenpeace.org/toxics/reports/azd/azd.html
2 C-J Partsch, M Aukamp, W G Sippell Scrotal temperature is increased in disposable plastic lined nappies. Division of Paediatric Endocrinology, Department of Paediatrics, Christian-Albrechts- University of Kiel, Schwanenweg 20, D-24105 Kiel, Germany. Arch Dis Child 2000;83:364-368.
Busque em http://adc.bmjjournals.com pelo nome do estudo.
Razões econômicas
Aqui seremos bem honestos: fralda de pano pode ser MUITO mais barato que descartável. Mas também pode não ser assim tão barato, dependendo das fraldas e acessórios usados.
No geral, diz-se que fraldas descartáveis te fazem gastar em média R$2.000,00 até o desfralde. Já com fraldas de pano, se comprarmos, por exemplo 20 fraldas das mais caras, de aproximadamente R$40,00 + 30 absorventes de R$15,00, temos 1.250,00. Aí vai entrar ainda uma bolsinha de fralda suja, uns lencinhos para higiene, um pouco mais na conta de água, energia... sabão nem vou contar porque gasta muito pouco! E, mesmo assim, ainda fica mais barato!
Ah, você ainda vai economizar em:
pomadas para assaduras
lenços umedecidos
algodão (recomendamos o uso de paninhos laváveis no lugar destes)
saídas de casa para comprar um pacote de fraldas porque acabaram!
O investimento inicial das fraldas de pano é maior, mas sempre é possível parcelar ou ir comprando aos poucos!
(FONTE: Blog Ecco, mama! - http://eccomama.blogspot.com.br/p/tudo-sobre-fraldas-de-pano.html)
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