domingo, 17 de novembro de 2013

Nós ♥ Fraldas de Pano

 

  quando ouvi falar sobre as fraldas de pano modernas pela primeira vez, ainda na gestação, pensei que era um enorme retrocesso. ouvi a vida inteira minha mãe, tias e a avós contando a luta diária de lavar à mão mais de 30 fraldas por dia, os alfinetes que soltavam e espetavam o bebê, as fitas que não prendiam nada, os cocôs grudentos esfregados um a um no tanque. deus me livre querer mais aquela ocupação para o meu dia-a-dia, até porque hoje as fraldas descartáveis são práticas e relativamente acessíveis.
  ganhei muitos pacotes das fraldas descartáveis das minhas amigas da faculdade, das colegas de trabalho e de familiares, o que me deixou despreocupada com relação à reabastecer o estoque por um bom tempo. acontece que a medida que a Mallu foi crescendo uma alergiazinha foi aparecendo dependendo da marca da fralda que usávamos. só aí mais de 20 pacotes foram perdidos. e a medida que testávamos outros, eu percebia que a pele passava por vermelhidão, às vezes ficava áspera, apareciam uns cortezinhos. não queria que minha pequena passasse por aquilo, com tantos componentes químicos em contato direto com partes tão sensíveis do seu corpo... e também não queria jogar tanta fralda no lixo sabendo que iam demorar centenas de anos pra se decompor. decidi voltar a pesquisar sobre as tais fraldas de pano modernas com as quais tive contato breve durante a gestação.
  foi amor à segunda vista! li muito sobre o assunto, entrei em grupos de mães e fabricantes (sim, geralmente os dois ao mesmo tempo, o que é super bacana porque assim apoiamos o empreendedorismo de mães como nós), conversei com algumas pessoas que aderiram à causa, e decidi que queria isso pra Mallu e queria isso pro planeta.
  assim que pude fui num encontro de mães aqui em BH onde a Débora (da loja Ecco, mama!) estaria com as fraldinhas pra vender e pra explicar sobre o uso. ela foi super receptiva, me deu algumas dicas e fiz minha primeira compra: 1 fralda Efral, 1 capa Ninho da Coruja, 2 fraldas pocket Fio da Terra, 2 absorventes atoalhados e 2 liners de soft (não se intimidem, em outro post vou explicar todos esses nomes e a funcionalidade de cada acessório timtim por timtim).
  era um acervo bem pequeno mas deu pra começar a testar. e aí sim o amor se consolidou! Mallu ficou super confortável desde o primeiro uso, não se sentiu incomodada com nada. já de início a combinação absorvete atoalhado + capa durou mais de 3hrs de uso (que também é o tempo médio recomendado para a troca da fralda descartável). sem contar que as fraldinhas são as coisas mais lindas e fofas desse mundo, dá vontade de comprar uma de cada (tô viciada, admito).
  ainda estamos em fases de testes - usando marcas diferentes, combinações de absorventes e tecidos diversos, avaliando o que atende melhor as necessidades em cada horário e etc. já substituímos quase por completo o uso das fraldas descartáveis pelas fraldas de pano (geralmente usamos 1 descartável pra dormir e outra se houver necessidade - como temos ainda poucas de pano não dá tempo de lavar e secar pro uso ser contínuo). minha meta é que até o próximo mês só reine aqui o bumbunzão de pano.
  ah, e o trauma que minhas queridas mãe, tias e avós me passaram? sumiu! a lavagem é muito simples e prática, não gasto mais de 10 minutos do meu dia com isso. e a economia também se reflete em outros detalhes, já que usa-se pouquíssimo sabão (ou nenhum) nas lavagens, é proibido usar amaciante e passar as fraldas a ferro.
  pra quem está em dúvida se vale a pena o investimento: sim, vale muito a pena! seu bolso agradece, a pele do seu bebê ainda mais e cada ser vivo do nosso planeta também! acredito que o que nós fazemos tem o poder de transformar o mundo e que viver é um ato político. estamos sempre tomando partido de causas que nos são pares mesmo que sem total consciência disso. algo que parece pouco a primeira vista pode mudar um pedacinho do nosso futuro e do nosso mundo, e isso é uma responsabilidade incrível.

 sobre a lavagem, a nossa rotina de uso e o 'abc' das fraldas conto durante a semana em outras postagens. no fim dos posts deixarei também os contatos das vendedoras de quem já comprei (todas um amor).


Por que usar fraldas de pano?

Razões ecológicas
Um bebê utiliza em média 5000 fraldas descartáveis até o desfralde
Cada fralda descartável levará de 250 a 500 anos para ser decomposta
2% dos lixos urbanos são fraldas descartáveis
No Brasil, mais de 200 fraldas são descartadas POR SEGUNDO (17.625.600 fraldas por dia!!!)
A fralda de pano consome água, sabão e energia elétrica para ser lavada, mas a descartável também consumiu água, energia e celulose para ser feita. Ah, ela também liberou toxinas no processo de branqueamento!
Fraldas lavadas com consciência e economia dos recursos com certeza consumirão menos que as descartáveis.
A água utilizada na lavagem das fraldas pode ser reaproveitada para lavar a casa, o quintal, etc.
As fezes são despejadas diretamente no vaso sanitário ao invés de serem acumuladas nos lixões, o que causa ploriferamento de doenças.
Fraldas de pano NÃO PRECISAM (e não devem!) SER PASSADAS! Economizam energia, tempo e dinheiro!

Cuidados com o bebê
Fraldas descartáveis estão cheias de toxinas, poluentes e de um pó que se torna o gel absorvente (SAP - poliacrilado de sódio), relacionado à síndrome do choque tóxico¹.
Fraldas descartáveis estão relacionadas a casos de superaquecimento escrotal, que pode levar a infertilidade na idade adulta².
Fraldas de pano evitam dermatites e assaduras.
Fraldas de pano não requerem o uso de pomadas, o que permite que a pele respire e desenvolva sua imundade!
Ao usar fraldas de pano os pais necessariamente desenvolvem sua interação com o bebê, atentando para o ritmo biológico dos filhos e reparando mais prontamente se houver alterações no mesmo.
Conforto para o bebê: imagine-se usando absorventes menstruais descartáveis por 700 dias ininterruptos. Colabore com seu filho, coloque uma fralda de pano nele!

1 Allsopp, Michelle.  Achieving Zero Dioxin: An emergency strategy for dioxin elimination.  Setembro, 1994.  Greenpeace.  http://archive.greenpeace.org/toxics/reports/azd/azd.html
2 C-J Partsch, M Aukamp, W G Sippell Scrotal temperature is increased in disposable plastic lined nappies. Division of Paediatric Endocrinology, Department of Paediatrics, Christian-Albrechts- University of Kiel, Schwanenweg 20, D-24105 Kiel, Germany. Arch Dis Child 2000;83:364-368.
Busque em http://adc.bmjjournals.com pelo nome do estudo.

Razões econômicas
Aqui seremos bem honestos: fralda de pano pode ser MUITO mais barato que descartável. Mas também pode não ser assim tão barato, dependendo das fraldas e acessórios usados.
No geral, diz-se que fraldas descartáveis te fazem gastar em média R$2.000,00 até o desfralde. Já com fraldas de pano, se comprarmos, por exemplo 20 fraldas das mais caras, de aproximadamente R$40,00 + 30 absorventes de R$15,00, temos 1.250,00. Aí vai entrar ainda uma bolsinha de fralda suja, uns lencinhos para higiene, um pouco mais na conta de água, energia... sabão nem vou contar porque gasta muito pouco! E, mesmo assim, ainda fica mais barato!
Ah, você ainda vai economizar em:
pomadas para assaduras
lenços umedecidos
algodão (recomendamos o uso de paninhos laváveis no lugar destes)
saídas de casa para comprar um pacote de fraldas porque acabaram!
O investimento inicial das fraldas de pano é maior, mas sempre é possível parcelar ou ir comprando aos poucos!


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Blogagem Coletiva: maternidade e carreira profissional - é possível vivenciar ambas com felicidade?

   peço sinceridade: você que é mãe e profissional se sente plena no exercício de ambas as funções? se sim, quais arranjos criou para que isso fosse possível?

  pergunto porque, no meu caso, a resposta é não.
  desde que voltei da licença maternidade estou em conflito e insatisfeita tanto no papel de mãe quanto no papel de profissional. trabalho na biblioteca de uma escola municipal e, antes da gravidez, ia embora agradecendo aos céus pelo trabalho incrível que me realizava tanto. eu podia conciliar coisas que amo - leitura, crianças, cuidados -, trabalhar meio horário e continuar a faculdade que era minha paixão.
  a gravidez da Mallu não foi planejada e isso não é segredo pra ninguém. mas assim que ela se fez presente me tomou inteira, me moldou, refez meu olhar. exigiu mais presença e disposição, e me vi trancando o curso que sempre sonhei em fazer, onde tinha bolsa integral. não me arrependo - tenho muitos anos pra estudar e me formar, e minha filha pediu urgência. ela é minha prioridade.
  tive uma licença de 6 meses e mais 1 mês de férias, o que reconheço como o privilégio que é. pude ficar em casa aprendendo a ser mãe da Mallu e cumprir com os 6 meses de aleitamento materno exclusivo sem complicações. ao retornar ao trabalho fui bem recebida e sei que tenho o apoio necessário da maioria dos meus colegas pra conciliar meus horários, o trabalho e a maternagem. não tenho um local específico para ordenhar meu leite, mas posso fazê-lo dentro da sala onde trabalho, e fui autorizada a usar o freezer da cozinha para armazená-lo corretamente. quando não consigo ordenhar antes de vir trabalhar, o Carlos traz a Mallu para mamar aqui. são sempre bem recebidos e nunca houve reclamação. como minha carga horária é de 6hrs/dia, passo a tarde e a noite grudada na minha pequena, o que também reconheço como privilégio. não teria por que reclamar do meu trabalho.
  acontece que eu nunca fui uma pessoa mediana, não sei ser assim. preciso de tesão em tudo o que faço, e mais do que isso, preciso me sentir inteira ao faze-lo. a rotina é corrida e acabo não me doando 100% em nenhuma das atividades que exerço, o que me desestimula completamente. venho me sentindo culpada por não ter a mesma disposição de antes nos cuidados e brincadeiras com a minha filha que, como disse anteriormente, é minha prioridade. nosso vínculo tão incrível tem se enfraquecido em alguns momentos porque eu não consigo me contentar com a maternagem 'pela metade' que sou obrigada a praticar.
  isso não significa que negligencio qualquer cuidado que seja quando se trata da Mallu, nem que perco a paciência, ou que não sinto prazer em estar com ela. é exatamente o contrário: me culpo por não ter tanto tempo ou tanta disposição pra viver plenamente essa nossa relação maravilhosa, que me faz tão feliz.
  se eu pudesse deixar o trabalho pra me dedicar à maternar exclusivamente nesses primeiros anos de vida da minha filha, eu o faria. o que acontece é que no meu caso (e no de milhares de outras mulheres) não é uma questão de escolha. a renda que meu emprego proporciona é essencial no nosso orçamento e nem que apertássemos muito conseguiríamos viver sem ela. poder decidir entre trabalhar fora ou não é uma situação de privilégio.
  ao mesmo tempo em que sou 'obrigada' a trabalhar, não existe uma rede de apoio que torne isso possível. no momento a Mallu fica com o pai enquanto estou trabalhando, mas em breve essa situação vai mudar e ele não vai estar em casa nesse horário. e aí, como faremos? não podemos depender do favor e da boa vontade de ninguém - porque sim, deixar o filho com a avó, a tia, a madrinha, é depender de favor e boa vontade. o Estado deveria garantir boas creches com vagas para TODAS as crianças que necessitam, e sabemos que isso não acontece. berçário no trabalho então... é sonhar demais dentro da minha realidade. não tenho renda suficiente para pagar um berçário ou uma babá - sem falar da questão da terceirização dos cuidados que não me agrada nem um pouco. e então, o que fazer?
  nesse momento estou infeliz com a minha relação profissional x materna. ainda não encontrei a minha solução, não consegui me satisfazer e ficar com a consciência tranquila. acredito que os alunos da escola não merecem uma funcionária pela metade, assim como minha filha não merece uma mãe sempre cansada e insatisfeita. tenho dado o melhor que posso pra preencher as lacunas, mas admito que não é fácil e ainda não consegui me encontrar nesse novo percurso.

http://femmaterna.com.br/blogagem-coletiva-maternidade-e-carreira-profissional-como-nao-conciliar-essas-duas-coisas/
 
  esse texto soou como um desabafo, mas preciso ser sincera com minha situação atual e com o que sinto a respeito dela. acredito que com uma rede de apoio, licença maternidade mais longa, carga horária reduzida ou negociável, espaços destinados à amamentar ou ordenhar o leite, creches ou berçários próximos ou anexos ao local de trabalho e empatia da parte dos colegas e chefes, seria mais fácil exercer com prazer e plenitude tanto o profissional quanto a maternagem. infelizmente essa é uma realidade utópica no momento - pelo menos pra mim e tantas outras mulheres que ouço desabafar o cansaço com a lida diária.
  particularmente tenho que descobrir como conciliar e ser feliz com os papéis que preciso desempenhar e, sinceramente, não faço a mínima idéia de por onde começar. dicas, palpites, experiências? antes que a culpa materna me engula ou eu jogue tudo pro alto, sim?

sábado, 12 de outubro de 2013

os dias das crianças

 ouço muito: "você não coloca limites nessa menina, ela ainda vai te dar muito trabalho!"
pois é isso mesmo que eu quero: que ela me faça trabalhar o corpo e a mente, trabalhar minhas mais fervorosas convicções, meus medos mais escondidos, meus preconceitos mais arraigados, todas as minhas certezas absolutas.
  quero que a minha filha tenha a liberdade de se expressar como preferir - por meio do choro, do riso, da raiva, do carinho, da arte. e que ela saiba que, qualquer que seja sua expressão, será sempre respeitada.
  quero que ela se sinta segura o suficiente pra me dizer "não!", pra se opor ao que eu penso, pra discutir idéias de igual pra igual, pra bater de frente defendendo o que acredita.
  quero que ela tenha autonomia sobre o próprio corpo, que decida sozinha como, quando e com quem se relacionar, sem medo de represálias. que ela se ame em suas particularidades, aceite as diferenças que seu corpo carrega, veja a beleza de cada uma delas.
  quero que ela saiba que ninguém pode tocá-la sem seu consentimento. que ela denuncie e se defenda de todo o tipo de violência, que não aceite de forma alguma que lhe firam física, sentimental ou intelectualmente.
  quero que ela tenha pelas pessoas o mesmo respeito que terá por si mesma. que não ultrapasse o limite do outro, que não se sinta no direito de usar ou magoar qualquer um que seja.
  quero que a Mallu saiba dar seus passos sozinha, sem ficar esperando por aprovação ou buscando atender as expectativas que despejarem em cima dela.
  e quero que ela saiba que mesmo que nossos ideais não sejam os mesmos ou que eu não esteja sempre de acordo com a sua busca, estaremos juntas pelo mesmo caminho, com as mãos dadas e o coração em sintonia.


  nesse primeiro dia 12 de outubro com a minha pequena aqui comigo, o que desejo é que todas as crianças sejam respeitadas como seres únicos e subjetivos que são. que deixem de ser violadas, abusadas, exploradas, ignoradas. que nós, adultos guardando crianças há tanto emudecidas, saibamos vê-las com olhos de empatia, respeito, igualdade. que possamos dar valor à sua voz e ouvidos ao seu silêncio. que deixemos que sejam crianças, sem cobranças excessivas, sem impor limites que enclausurem. que os nossos pequenos e pequenas possam levar com leveza cada aprendizado dessa fase tão importante, que se sintam acolhidos e apoiados, que tenham certeza que ao lado delas há um adulto prezando por sua felicidade.



"Educação, para muita gente, significa tentar levar a criança a se parecer com o adulto típico. Para mim, significa tornar criadores, inventores, não conformistas."

- Jean Piaget

feliz dia das crianças ;)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

das mudanças que a maternidade me trouxe: eu escolhi respeitar

  ouvi muitas "piadinhas inofensivas" na minha infância. estaria mentindo se dissesse que elas não me afetaram e afetam até hoje.
  antes de dormir, eu sempre brincava com minha mãe, meu pai e meus irmãos de mímica. numa dessas vezes eu estava imitando não me lembro o que, e meu pai sempre dizia: "é um elefante!", e eu negava voltando a imitar. ele repetia: "é um elefante sim!" e caía na gargalhada. percebi que ele estava me chamando de gorda - como sempre - e saí correndo e chorando pro quarto. nunca mais brinquei de mímica.
  muitas vezes me falaram na "brincadeirinha" que eu era preguiçosa, que não fazia nada direito, que era lerda. na verdade até hoje ouço uns "comentários espirituosos" assim e, admito, ainda fico um pouco desconcertada.
  me acostumei a rir. fingia que não me importava, emendava outra "piadinha", contribuía com o menosprezo que me ofereciam, sempre sorrindo. doía, é claro, mas quem iria se importar? era só brincadeira.
  quando comecei a conviver com a família do Carlos percebi que aquele tipo de "descontração" não era exclusividade da minha família - sempre saíam "piadinhas" com alguma característica considerada defeito de um de nós dois. continuei rindo, acrescentando uma bobeirinha aqui, outra ali. ainda doía, mas e daí? estávamos acostumados.
  e eu comecei a pensar em como seria quando a Mallu estivesse aqui. qual "defeito" dela as pessoas destacariam e zombariam. fiquei aterrorizada só de imaginar que minha filha poderia se sentir insegura ou rejeitada como me senti algumas vezes com esse costume da minha família. e decidi que precisava de forças pra, em mais um aspecto da nossa vida, quebrar o ciclo.
  essa foi uma mudança muito difícil de conseguir colocar em prática, afinal fui habituada por uma vida inteira a rir de comentários pejorativos sobre pessoas que amo ou sobre mim mesma. há um bom tempo já não participava de "piadas" que fossem machistas, racistas, homofóbicas, transfóbicas ou opressoras de qualquer forma, mas ainda assim foi difícil vencer o desrespeito que me acostumei a praticar comigo mesma e com os que me cercam.
  eis que a Mallu chegou e o instinto de proteção (e de respeito) gritou mais alto. ouvi algumas piadinhas sobre ela que não gostei - a cor da pele, o cabelo, a mania que ela tem de chupar a língua, o "excesso" de colo, as orelhas que não são furadas - impressionante como tudo é motivo, não é? não ri, não participei, deixei claro que aquilo me incomodava e por vezes fui mais grosseira do que gostaria. tudo porque não quero que minha filha carregue essas marcas que aos poucos vão se transformando em traumas, inseguranças, medos, rejeição.
  então percebi que se eu fui capaz de fazer isso por ela, também seria capaz de fazer por mim e pelo meu companheiro. se ouço piadinhas me chamando de lerda, por exemplo, não rio e peço que a pessoa me explique com base em que ela acha isso de mim. se alguém faz piada do Carlos não compartilho dos risinhos e me imponho com a minha opinião sobre a pessoa maravilhosa que ele é. chega de aceitar esse peso que vem em forma de descontração. não, não é engraçado. não faz bem. chega.
  assim como não vou permitir jamais que alguém se sinta no direito de agredir minha filha fisicamente, também não permitirei que a agridam com rótulos pejorativos e achem graça em cima disso. claro que ela terá defeitos e dificuldades, mas vamos trabalhar juntas em cima disso com respeito e carinho, e não com deboche e desprezo.
  sou muito grata à meus pais por várias coisas na minha criação, mas da mesma forma sei que tenho muitos ciclos a quebrar para não repetir com a Mallu tantas coisas que me machucaram. é um trabalho difícil, diário, desgastante. mexe com o que temos escondido lá no fundo, com a suposta perfeição dos nossos pais, com a criança que ignoramos e calamos por tanto tempo. mas os frutos recompensam: aprender a se respeitar e respeitar o outro, a se amar e amar o outro - com defeitos, qualidades, seja do jeito que for. sorrir juntos em vez de rirem um do outro, andar lado a lado e não criar um abismo entre pessoas que se amam.
  faço isso pela Mallu sim, mas também por mim e pelo Carlos. e sei que é um passo importante pra nós enquanto crianças-esquecidas e principalmente enquanto família.
  e vocês, que ciclos precisam romper?


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Malluquices Paternas: As músicas da Mallu


Desde a barriga a Mallu gosta de musica. Dizem que bom gosto vem de berço... É mentira: no caso da Mallu vem é de barriga.
Lembro-me de uma noite em que eu estava tocando violão com a Ana barriguda - toquei  “Detalhes”,  Roberto Carlos – e a nossa menina chutou enquanto eu cantava “se um outro cabeludo aparecer na sua rua...” . Naquela época sempre que tinha um tempo tava eu sentado do lado da Ana com o violão na mão.
 Nasceu a Mallu e quando ela acordava de madrugada ou antes de dormir a gente vinha para a sala aqui de casa, entrava no youtube e digitava - Debaixo d'agua - Maria Bethania, e ouvia repetidamente até ela acalmar e dormir. Ouvia também muita coisa que gosto mas ela sempre teve as próprias preferências, por exemplo: eu gosto muito das musicas do Marcelo Camelo e a Ana também gosta, agora coloca alguma coisa dele ou Los Hermanos perto da Mallu e você terá um problema . Na verdade isso era quando ela tinha seus 2 ou 3 meses, hoje eu não sei como seria, até  porque agora só escuto no fone.
 Quando eu descobri que dava pra tocar violão e ficar com a Mallu no colo ao mesmo tempo foi tipo unir o útil ao agradável, juntar a fome com a vontade de comer. Isso foi quando ela tinha 3 meses. A preferida dela nessa época era “Boa Pessoa”, d’ A Banda Mais Bonita Da Cidade. A mamãe até gravou um vídeo da gente tocando junto, vocês já viram?
 Ahh e tem também as musicas que a mamãe canta pra ela e com ela. Tem uma que eu adoro a letra é assim:

“Bem- vindo, meu novo ser
Cercado de proteção
De tanto amor tanta paz
Dentro do meu coração
É como se eu tivesse 
Esperado toda vida pra te embalar...”

 Ela se chama "Renascimento", da Isadora Canto,  e é linda. A mamãe também canta pipiripiradinha e a Mallu fica toda serelepe, escuta junto com ela  “O Rato”, Palavra Cantada e quantas vezes eu já me peguei cantando com a voz bem aguda “Lua brilhante, lua crescente declaro ser seu mais lindo amante”.  Desde o primeiro mês ela ouvia o disco todo do Pato Fu - Musica de Brinquedo, e Radio Radinho que só toca musica boa que agrada as crianças e os pais.
 A preferida na hora do soninho é “A Carta”, Erasmo Carlos, o problema é que às vezes eu tenho que cantar umas 8 vezes seguidas e se eu tento cantar outra ela não dorme. Até o hino do Galo eu tenho tentado e só quando o sono tá tomando conta mesmo que ela não reclama.
 Tocar violão hoje em dia é mais divertido, ela participa e abafa todas as cordas e depois solta, canta junto ou só fica olhando, e quando cansa pede colo pra mamãe.  Mallu adora música mas algumas vezes gosta mais do silêncio.
 Nem nove meses de vida fora da barriga e já tem um baita gosto musical! Assim... na minha opinião... rs.

menos de 10 dias de vida fora da barriga e curtindo o violão do papai ♥

terça-feira, 24 de setembro de 2013

os últimos meses foram assim:


com 5 meses:



- Mallu passou a enxergar como a gente enxerga, como se de repente o mundo ficasse em resolução HD. daí ficou apaixonada pela porta e pela janela onde entrava a luz bonita do sol. se encantou pela Chérie e a seguia com os olhos se agitando toda animadinha. reconhecia e soltava risinhos quando via a mamãe ou o papai. quando eu passava ao lado dela era uma sessão de bracinhos balançando e gritinhos alegres. foi aí que percebi que suas cores favoritas são laranja e amarelo.

- passou a ter mais interesse nos brinquedinhos e mordedores. passava de uma mão pra outra, segurava com as duas e - claro - levava à boca.

- a necessidade de sucção era tão grande que, quando não tava agarrada no peito, chupava meus braços até deixar marquinhas.

- tinha uma mania de fazer bicos que eu achei a coisa mais linda.

- começou a sentar com apoio.

- conseguiu pegar o pézinho e colocar na boca.

- a simpatia estava chegando ao fim: já não gostava de colos de estranhos, chorava e pedia pra voltar pra mamãe.

- demonstrou ter ciúme pela primeira vez: coloquei a Duda (minha afilhada) no colo e Mallu, que estava toda serelepe brincando com o papai, começou a chorar e se jogar pro meu lado.

teve também:

- visita pra tia Carla e pro Gui, reforçando a amizade que se formou junto com os dois dentro da barriga


- manifestação pelo passe livre em BH e ato brincante em apoio às manifestações no brasil todo. ah, e antes disso teve Marcha das Vadias, aos 4 meses. bebê politizada é outra coisa ;)

ato brincante na praça da liberdade

 vem pra rua!

marcha das vadias


- passeio de metrô e visita à tia Bella



com 6 meses:



- introduzimos os sólidos. essa é uma história que precisa ser contada à parte, mas já adianto que a aceitação não foi muito boa. o negócio dessa menina é tetê da mamãe.

- começamos a treinar pra minha volta ao trabalho. titia e papai davam leite no copo de treinamento (com bico rígido e sem válvula), mas ela também não aceitava muito bem. babava tudo.

- passou a ficar sentada sem apoio, mas rapidinho tombava pros lados.

- virava de bruços toda hora e ficava nessa posição brincando. arrastava pela cama mas ainda não tinha ido pro chão.

- passou a estranhar muuuito as pessoas com quem não convive.

- acho que foi nesse mês que passamos pela angústia da separação. ela acordava de madrugada chorando forte, e só se acalmava quando sentia meu abraço. gritava com desespero só de me ver ir pra outro cômodo, queria só o meu colo.

teve também:

- aniversário de 50 anos da vovó ♥



- passeio na casa da tia Márcia que encantou a pequena com um chocalho



- foi campeã das américas junto com o papai. #Galo

#Galo

- atividades montessorianas



com 7 meses:



- 7 meses e 9 dias, exatamente, o primeiro dentinho rasgou a gengiva. coisa linda! presente pra mamãe um dia antes da volta ao trabalho.

- sobre a volta do trabalho já contei aqui. depois desse primeiro dia, onde enfrentamos uma situação familiar horrível, ela teve febre de noite. nada tira da minha cabeça que essa foi uma febre emocional.

- passou a ficar um bom tempo sentada sem apoio e sentou sozinha pela primeira vez.

- aceitou melhor as frutinhas, mas quando oferecidas em BLW (não sabe o que é isso? daqui a pouco eu explico em um post sobre a introdução alimentar)

- começou a tentar engatinhar em cima da cama. muitos tombos e muita evolução!

teve também:

- passeio no parque das Mangabeiras com a tia Carla e o Gui-gui-lindo:

olha as caras... tal mãe, tal filha

- visita da tia Graci(nha):



- passeio no parque das Águas com o papai e a mamãe:



- primeiro dia dos pais com o melhor pai do mundo:

meus amores lindos!

com 8 meses:



- o segundo dentinho rasgou a gengiva! com isso vieram uma irritação grande com a boquinha e mordidas no peito da mamãe.

- se alimenta melhor quando tá com o papai, mas com a mamãe só quer saber de peito.

- toma mais ou menos 120ml por 'mamada' no copinho na minha ausência, o que tem feito ser difícil manter o estoque de leite. mas vamo que vamo.

- tá com mania de puxar os cabelos ou dar soquinhos na cabeça enquanto mama. alguém me diz de onde essa menina tirou isso?

- muita gritaria! gritinhos de alegria, de nervosismo, de pura vontade de gritar... linda linda linda!

- o "engatinhamento" evoluiu muito: foi pro chão, começou a engatinhar de ré, aprendeu a fazer força pra ir pra frente mas não saía do lugar. agora já dá uma volta na sala com certa rapidez, daqui a pouco ninguém segura minha menina!

- faz muuuuuita força pra ficar em pé. acho que ainda não ficou porque não passa tempo nenhum no berço, não tem onde se apoiar (o que vai mudar em breve com a adaptação do quartinho dela pro método montessoriano - outro assunto pra post!).

- chama a Chérie o dia inteiro! pois é, não foi "papai" nem "mamãe" a primeira palavra: foi RÍÍÍÍ! mas solta "babai" quando quer e "mamãe" quando o desespero tá forte, hahaha.

- o vocabulário de "nenenês" dela é incrível! conversa o dia todo! já teve uma fase de repetir "babababá", "guigui", "guigu", "guigé", "géguin"... agora mistura tudo, junta outras sílabas e juuura que tá inteligível.

- é muito observadora. repara detalhes, quer ver de mais perto, se joga na direção do que chama a atenção dela.

- descobriu o dedo indicador e ele parece uma setinha, fica esticado o tempo todo futucando pra lá e pra cá. ah, e começou a fazer o movimento de pinça!


ufa! terminei! e devo ter esquecido um monte de coisas. cês me desculpem, mas depois da gravidez a pouca memória que eu tinha foi-se embora.
só sei ter orgulho por cada detalhe do desenvolvimento da minha pequena, e o amor que cresce diariamente quando eu achava que era impossível ser maior do que é.